Acabei de jogar… FTL: Faster Than Light | Lone Survivor | Thirty Flights of Loving

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Mês de Natal e um novo emprego resultam obviamente em menos tempo livre para escrever, mas mesmo assim não coloco de parte o tempinho que sempre disponho para jogar. Como estamos a acabar o ano e comecei a pensar no meu top de jogos de 2012 apercebi-me que… não tinha jogado quase nada! Decidi então jogar alguns títulos prometedores de 2012 para ver se há alguma coisa de jeito que tenha perdido. Os três escolhidos caem precisamente nesse campo, FTL, Lone Survivor e numa menor escala Thirty Flights of Loving.



FTL: Faster Than Light [2012]

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Digo já que FTL é muito bom. Ia escrever uma análise mais detalhada só para ele, é um jogo que merece, mas estou seriamente com falta de tempo, resolvi então falar dele aqui de forma mais sucinta.

Um dos primeiros jogos financiados pelo Kickstarter a ver a luz do dia, FTL: Faster Than Light é um jogo… estranho. Quer dizer não é estranho, mas combina diversos aspectos nicho que o tornam num “animal” deveras peculiar. Primeiro de tudo, é um roguelike, ou seja podem esperar muita aleatoriedade, mortes permanentes e uma enorme ênfase na gestão da progressão e de loot. Roguelikes já são por si só um género nicho, mas acrescentem a isso o setting espacial e têm um jogo que facilmente conquistou o seu espaço, porque na realidade não há nada que se lhe possa comparar.

O grande apelo de FTL é poder vestir a pele dum Almirante Adama, dum Capitão Kirk ou dum simples Han Solo e comandar a nossa própria nave espacial, com tudo o que isso acarreta, desde a sua manutenção, gestão de energia, bens e pessoas, combate, muitos dilemas e decisões difíceis. O objectivo é fugir do avanço inimigo e chegar a bom porto com informações secretas de extrema importância. Como podem esperar dum roguelike, o caminho é extremamente perigoso e nunca sabemos bem o que esperar por causa da sua natureza aleatória. Isto leva a que cada viagem que fazemos se torne completamente distinta das anteriores e a história da nossa tripulação varie drasticamente. Por exemplo numa viagem podemos encontrar piratas que traficam escravos, noutra podemos encontrar aliados, comerciantes, destroços, estações espaciais abandonadas, angariar uma tripulação experiente ou fazer toda a viagem a solo e por aí fora. O final do jogo termina quase sempre com a nossa morte, isto porque FTL é deveras difícil. As mortes são imensamente diversas, desde fogo, falta de oxigénio, inimigos que se infiltram dentro da nave, asteróides que desfazem o casco e tempestades solares.

Embora FTL se assente na já referida aleatoriedade, chega um ponto, depois de horas e horas e dezenas e dezenas de tentativas onde as diversas situações e cenários se repetem, tornando mais ou menos previsivel o que vai acontecer, caindo por vezes numa certa repetição. É uma situação que com mais tempo e mais dinheiro os developers da Subset Games poderiam resolver, talvez numa sequela. A banda sonora é extremamente boa, mas visualmente deixa bastante a desejar, mesmo tendo em conta que é um jogo indie financiado pelo Kickstarter. Muito honestamente acho que até eu conseguia fazer um trabalho visual mais apelativo😀

À primeira vista pode parecer um jogo complicado com muito micro-management mas nada mais falso! O tutorial é extremamente competente e em pouco minutos FTL torna-se num animal fácil de compreender mas difícil de domar, e esse é o segredo dos bons jogos.

FTL: Faster Than Light é um dos melhores jogos do ano, muito porque praticamente não tem qualquer competição, é um jogo único que simula os desejos de qualquer pessoa que cresceu dentro do imaginário da Sci-Fi. Havia muito mais para falar, se (grande ênfase neste “se”) tiver tempo e paciência farei um artigo mais aprofundado onde mostrarei como cada viagem em FTL é uma experiência completamente nova e diferente.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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Lone Survivor [2012]

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Eu gosto muito de Silent Hill sabiam? Claro que sabiam, no ano passado joguei todos os jogos desenvolvidos pela Team Silent e até escrevi sobre todos eles, acho que me posso considerar um relativo conhecedor da filosofia e das mecânicas da série.

É certo que ainda me falta jogar os Silent Hill feitos pelos developers ocidentais, mas entretanto joguei um que se calhar ainda é mais fiel à visão da Team Silent do que esses, falo de Lone Survivor. Não achem que Lone Survivor é “parecido” ou “inspirado” por Silent Hill, Lone Survivor É um Silent Hill, um Silent Hill 2D! Só lhe falta o nome. Logo no menu a musica de Jasper Byrne (criador do jogo e que curiosamente tem uma musica na brilhante OST do Hotline Miami) é extremamente reminiscente do registo hipnótico do Akira Yamaoka, as semelhanças começam ai e nunca mais terminam, o que obviamente me deixou com um largo sorriso na cara.

As bases de Lone Survivor são como podem esperar muito semelhantes à série da Konami, muita exploração, gestão de recursos limitados e muitos pesadelos. A grande diferença prende-se naturalmente com o facto de que Lone Survivor é em 2D o que o obriga a ter que reinterpretar muitas noções básicas dum Silent Hill que desde a sua genesis foi pensado dentro dum universo 3D. Certos elementos infelizmente não sofreram uma passagem para o 2D de forma muito graciosa, especialmente o sentido de orientação que se tornou bem menos intuitivo, mesmo com mapas, e o sistema de combate/fuga a meu ver não funciona e acabou por ser um dos aspectos que mais prejudicou o jogo.

Não me interpretem mal, tal como num Silent Hill, aqui o objectivo não é combater mas sim evitar as ameaças. Na verdade os três diferentes finais advêm de entre diversos factores, da quantidade de inimigos que abatemos, como tal o próprio jogo permite que seja possível evitar todo o qualquer inimigo (pelo menos a esmagadora maioria deles). No entanto o plano 2D do jogo trás enormes limitações, não ser possível fugir quando estamos “presos” entre dois monstros é extremamente limitador e retira uma das características centrais da experiência.

O tema central de Lone Survivor é a loucura, aliás toda a aventura é uma metáfora da espiral de loucura (e da luta para a combater) do protagonista. Dormir e evitar matar inimigos retém o avanço da loucura, tomar comprimidos e matar causa danos no seu estado mental, que pode resultar em alucinações (muito inspiradas por David Lynch). E as alucinações são mesmo alguns dos pontos altos do jogo, mais não seja pela sua forma completamente surreal. A certa altura torna-se complicado interpretar o que é real e o que é uma alucinação. É sem duvida o aspecto mais interessante de Lone Survivor.

Visualmente é porventura o jogo em pixel art mais apelativo que joguei nos últimos tempos, durante um tempo confundia-o com o Home, mas nada mais errado, Lone Survivor é muito mais apelativo, os pixeis quase que formam mosaicos que lembram painéis de azulejos, tudo muito bonito.

Lone Survivor tinha tudo para me conquistar mas a realidade é que em parte não teve o impacto que estava à espera. A meio do jogo perdi a motivação e nunca houve aquele momento chave que os jogos que adoro normalmente têm, aquele momento que me prende definitivamente, o que é pena porque vê-se que Lone Survivor é uma obra feita com muito amor e dedicação.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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Thirty Flights of Loving [2012]

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2012 foi o ano da narrativa no videojogos. Não que tenha sido um ano de boas histórias, houveram algumas é certo, mas refiro-me às experiências narrativas e à forma como certos jogos tentaram expandir os horizontes do que é possível fazer em termos narrativos dentro deste meio. Jogos como Journey, Dear Esther, Home, The Unfinished Swan e em menor escala Spec Ops: The Line e The Walking Dead apresentaram novos caminhos e novas abordagens narrativas.

Outra experiência relevante é o novo jogo dos americanos da Blendo Games, que recordo trouxeram-nos o simpático Atom Zombie Smasher. Falo de Thirty Flights of Loving. E o que é isto? Bem, como referi é uma experiência por isso não esperem nada que se assemelhe a um tradicional jogo. Com uma duração de cerca de 20 minutos, Thirty Flights of Loving é uma pequena sequência que tenta apresentar algumas ideias narrativas. É certo que muita coisa que faz já foram apresentados por outros jogos como a narrativa ambiental, saltos narrativos e a total ausência de comunicação directa e verbal, mas outras, como os cortes na acção que vemos no cinema, acho que nunca vi num jogo. Basicamente o jogo corta em diversos pontos e salta os momentos que nada de relevante acontece. É certo que sendo isto um projecto experimental as coisas até que funcionam, fica a duvida se também funcionaria num jogo tradicional. Para além destas ideias não há muito mais a apontar… isto porque não há literalmente muito mais coisas. O tom é incrivelmente pretensioso, chega a ser quase uma caricatura daquelas obras artsy direccionadas para as elites artísticas, faz-me lembrar o espectáculo da Vulva do Spaced😀 Há um modo com comentários do criador Brendon Chung que é sempre uma mais valia e que me ajudou bastante a afastar um pouco daquele sentimento azedo da primeira vez.

Mas esperem! Há um bónus! Thirty Flights of Loving é um jogo duma série chamada Citizen Abel com alguns jogos dentro do mesmo universo. Quando compram Thirty Flights of Loving terão um jogo dessa série como oferta, o Gravity Bone. Gravity Bone é um jogo ta… Gravity Bone é um jogo também bastant… Gravity Bone é um jogo também bastante curto, no ent… Gravity Bone é um jogo também bastante curto, no entanto bem mais tradicional. A sua estru… Desculpem lá isto, é que esta porra está sempre a crashar. Jogando na resolução nativa do meu monitor Gravity Bone é incrivelmente instável, provavelmente vestígios do velhinho motor do Quake II!

Mas resolvidos os problemas, Gravity Bone é bem mais tradicional que Thirty Flights of loving e para dizer a verdade até gostei do que vi, mesmo dentro de toda a sua simplicidade. O universo de jogo de ambos os jogos é o mesmo e é um universo que muito me intrigou, tem um feel muito anos 60, espionagem, Bond… vocês percebem. Gostava muito de ver um jogo a sério neste universo.

Como devem imaginar não vou dar nota, Thirty Flights of Loving é apenas um produto experimental sem qualquer pretensão (assim o espero) para ser visto e comparado com um tradicional videojogo (tem é claro muitas outras pretensões como devem imaginar). Obviamente que não o aconselho a um jogador tradicional, pagar por meia hora não é obviamente justo, mas para quem se interessa por estas coisas acho que vale a pena dar uma vista de olhos.

Comments
3 Responses to “Acabei de jogar… FTL: Faster Than Light | Lone Survivor | Thirty Flights of Loving”
  1. pimenta diz:

    Vou ser sincero: eu não paguei pelo 30 flights e achei uma experiência interessante. Mas, man, se tivesse pago o full price tenho totalmente a certeza que 20 minutos depois ia estar bem arrependido.

    Acho engraçado como tanta gente utiliza a “quantidade de diversão” como justificação para o preço do jogo quando alguém se queixa dele. Epá, não sei, mas por muito intenso que o jogo seja, acho que tiro mais diversão da carrada de horas que passei no Vampire Bloodlines do que da meia hora que isto dura, e em termos de preço pago teria sido o mesmo. Ou pronto, ainda hoje joguei uma coisinha engraçada (http://www.newgrounds.com/portal/view/556644) que me divertiu imenso e me custou… nada. Mais depressa aceitava um argumento que dissesse que falasse do valor artístico daquilo do que por “quantidade de diversão”.
    Lol, “quantidade de diversão”.😄

  2. Só um aparte, o Thirty Flights of Loving ganhou o GOTY do David Jaffe😀
    http://www.giantbomb.com/david-jaffes-top-10-games-of-2012/17-6921/

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