Resident Evil Remake [2002]

remake

Tal como disse no Lembram-se do Resident Evil, estive a jogar o remake do clássico em preparação para o Resident Evil 2.

Como sabem não tenho uma GameCube por isso tive de improvisar, acabei por usar o emulador Dolphin que corre jogos do cubo e da Wii, só o tinha experimentado há alguns anos no meu PC antigo para tentar correr o Wind Waker e a experiência não tinha sido propriamente das melhores, tive muitos slowdowns. Felizmente, agora com o meu PC actual, foi completamente diferente, para melhor. Resident Evil correu quase na perfeição, aliás correu tão bem que vou jogar o Resident Evil 2 também no Dolphin em vez da versão PC!

Bom, mas falando do jogo. Há já muito tempo que estava interessado neste remake, em parte por ter jogado o original, mas principalmente porque visualmente é lindíssimo! Sempre que via imagens e vídeos ficava com vontade danada de jogar, e de facto é belíssimo, mesmo com os backgrounds em baixa resolução dá para ver toda a beleza da arte. Os fundos coloridos e simplistas do original foram substituídos por um ambiente mais escuro e vitoriano carregado de detalhe. Infelizmente, uma das desvantagens de jogar em resoluções elevadas no emulador é a forma como o 2D e o 3D não se encaixam bem, ou seja, os modelos são super detalhados fruto da alta resolução, mas os fundos 2D ficam naturalmente com um efeito borrado. Isto significa que por exemplo todos os objectos interactivos saltam à vista.

jill

Mas em termos técnicos é mesmo o único defeito que posso apontar, nem tanto ao jogo mas ao facto de o estar a jogar num emulador no PC. Em termos sonoros Resident Evil Remake segue a máxima do “quanto menos melhor”, grande parte do jogo não tem música e quando ela surge é normalmente suave e ambiente, a excepção são os momentos frenéticos de tensão onde ela normalmente explode. A quase ausência de música faz aumentar e de que forma a tensão, felizmente o jogo sabe que o silencio e o som dos nossos passos é mais assustador que elaborados trabalhos musicais.

Para além das diferenças gráficas, este remake apresenta mais algumas novidades em relação ao original. Desde logo o controlo é um pouco mais lento e os zombies mais perigosos porque nos agarram com uma maior facilidade. Há agora armas defensivas, que se bem me recordo não havia no original e alguns movimentos novos (como a volta de 180º). O layout da mansão está basicamente na mesma, mas há algumas variações interessantes na forma como percorremos as divisões que brinca com as nossas memórias do jogo original. Finalmente, a alteração mais profunda e a meu ver a mais bem conseguida é a necessidade de eliminar os zombies definitivamente quando os matamos. É necessário queima-los ou decapita-los, caso contrario eles regressam mais tarde, mais fortes, mais rápidos e mais assustadores. Obriga a uma maior gestão de recursos e novas estratégias.

A atmosfera é perfeita, acho que não consigo apontar um defeito a todo o ambiente. É verdade que a mansão por vezes passa mais a imagem de cenário de filme do que duma casa real, mas evoca tanto o típico imaginário de terror gótico que é impossível não gostar.

Se tiver de apontar uma critica, terei de falar da lentidão dos controlos. Não, não me importo dos controlos pesados “à tanque”, eles são perfeitos para o jogo que é, mas sim da sua lentidão em comparação com o jogo original. Isso torna os raros confrontos em momentos complicados porque é mais difícil fintar os zombies. Mas este é um bom exemplo de combate bem doseado, onde cada encontro é um momento especial por serem tão raros, tal como reclamei no meu artigo Assassinos Natos. Outro aspecto negativo que… não sei se é mesmo negativo são os diálogos. Obviamente todos conhecemos o charme dos terríveis diálogos e voice acting do original, mas aqui, onde temos uma reinterpretação mais séria (reescreveram quase todos as linhas de dialogo) esse charme acaba por desaparecer.

Como já referi, os cenários pré-renderizados são duma beleza rara e a meu ver foi inteligente a decisão da Capcom em regressar a este método numa época em que praticamente já tinha desaparecido em jogos deste calibre, na verdade a própria série Resident Evil já tinha abandonado os fundos 2D dois anos antes em Code Veronica. É claro que as desvantagens dum jogo 2.5D são muitas porque restringe a liberdade do jogador, mas em contrapartida torna a experiência mais assustadora porque impede o jogador de ter uma visão panorâmica do que o rodeia e dá azo a encontros inesperados e assustadores ao cruzar esquinas😀

remake

A herança das aventuras gráficas é mais que evidente, na realidade a sua estrutura é quase uma cópia duma qualquer aventura dos anos 90, com muitos puzzles de inventário e backtracking, algo que infelizmente (e naturalmente) desapareceu por completo nos últimos capítulos da série. Os puzzles são bastante acessíveis porque à semelhança dum Tomb Raider por exemplo, basicamente requer a busca e a combinação de diferentes objectos escondidos no cenário, nunca chega ao nível de alguns dos puzzles de Silent Hill por exemplo. Por falar em Silent Hill, que é uma série que muito gosto, qual o melhor? É difícil dizer. Entre os primeiros jogos de cada uma das séries prefiro Silent Hill, tem um tipo de terror que me agrada mais, mas envelheceu mal e em termos mecânicos se calhar Resident Evil Remake consegue ser superior. De qualquer das formas é injusto comparar com o remake porque este aperfeiçoa e muito o original, Silent Hill não teve direito a um que fizesse o mesmo e de forma tão fiel (Shattered Memories não conta porque é uma reimaginação).

Se Resident Evil tinha sido uma boa experiência, este remake tornou-a em algo especial, a meu ver este é um dos melhores exemplos de survival horror clássicos, na medida em que aplica as regras de forma quase perfeita. É certo que não consegue ser tão assustador como alguns dos seus rivais e não é propriamente o tipo de terror que mais me cativa, mas sabe construir e de que forma uma atmosfera de terror que empresta mais dos clássicos da Universal do que dos zombies de Romero.

É mais que recomendado. Próximo da lista é já o Resident Evil 2!

Positivo:
+ Belíssimos cenários pré-renderizados
+ Fiel ao original
+Atmosfera clássica de terror
+ Jill❤

Negativo:
– Os maus diálogos perderam algum do charme do original.
– Controlos mais lentos e pesados que no original.

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
3 Responses to “Resident Evil Remake [2002]”
  1. Berto, tenta o Resident Evil Zero também, é uma prequela mas eu gostei muito na altura, aliás comprei uma GC por causa desta colecção de remakes e ainda a tenho a funcionar. O resultado final será sempre melhor numa TV CRT que aguente 60Hz, experimentei numa FullHD widescreen 16:9 e no PC com um LED e o formato 4:3 num CRT parece ser o mais confortável de todos, pelo menos os controlos melhoram muito.

    De qq forma gostei da análise e da comparação, pouco excessiva, com Silent Hill, encontrei há pouco tempo um remake HD do SH 2 e do SH3 para a Xbox 360 por uma bagatela e estou a re-jogá-los aos 2, vale a pena também.

  2. Simplesmente perfeito esse jogo!!!
    E na época que joguei pela primeira vez, foi completamente random. Estava muito doente e iria ficar semanas em casa sem poder sair! Fui a uma locadora de games e foi o primeiro jogo que vi e logo escolhi. Nao me arrependi nem pouco de ter escolhido às pressas!!
    Bons tempos, por volta de 2002, boas memorias!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: