The Last of Us [2013]

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Desde que em Novembro de 2011 surgiu pela primeira vez um vídeo relacionado com este novo jogo da Naughty Dog, muitos jogadores, dos quais incluo-me, colocaram a fasquia bastante alta, ou não estivéssemos a falar dos produtores que nos trouxeram os melhores jogos que a Playstation 3 recebeu até à data. Mas como em tudo, quando a fasquia por vezes é enorme, nem sempre é possível ultrapassar as expectativas que se criam. Será que a Naughty Dog conseguiria novamente oferecer-nos uma “bomba” como já nos vinha habituando, ou será que este desejo dos jogadores já será algo impossível? Vou tentar explicar o meu ponto de vista nos próximos parágrafos…

The Last of Us é um survival-horror que tem como protagonista principal, Joel,  um sobrevivente e contrabandista que após acontecimentos ocorridos num passado recente, vê-se envolvido numa missão em que terá de acompanhar uma jovem de 14 anos de seu nome Ellie até um acampamento de sobreviventes, através de um mundo que foi profundamente afectado por um fungo parasita que transformou tudo o que conhecíamos como mundo civilizado, em algo impensável e só possível de combater com base na lei do mais forte. Só que aquilo que poderia ser uma simples missão, acaba por tornar-se numa batalha épica pela sobrevivência, estando prometido a quem aventurar-se, algumas das melhores sequências que este género (novo para a produtora) alguma vez teve oportunidade de oferecer.

Não querendo adiantar-me muito pelo argumento, posso desde já afirmar que este é superior a qualquer jogo que a Naughty Dog tenha feito, embora dê destaque especial ao prólogo e especialmente à parte final das cerca de 17 horas que demorei a terminar este título. E sim, leram bem, pois foram mesmo 17 horas, algo que ultimamente não estamos muito habituados, visto que é cada vez mais usual termos bons títulos, mas que acabam por ser curtos para o preço exigido. Felizmente este não é um desses casos, e para tal acredito que um dos motivos para tal foi o tipo de jogabilidade que a produtora desenhou para o jogo. Aqui iremos ter vários tipos de combate, seja contra humanos militares, ou contra os já denominados de Infectados, sendo que para cada um deles teremos que ter obrigatoriamente uma abordagem diferente. Atrevo-me mesmo a dizer que por vezes senti mais dificuldades contra os humanos do que contra os Infectados, embora estes últimos possuam uma variante (os Clickers) que os torna mortíferos ao mínimo contacto.

TLOU

Ora, caso estejam ainda a ler, já perceberam que os inimigos possuem vários tipos de ataque e nos exigem vários tipos de abordagem, mas não é menos verdade que caso optem pela via mais stealth irão tirar dividendos do jogo que poderão deixar-vos de sorriso na boca, algo que me aconteceu variadas vezes. O jogo quase que nos incita para este tipo de jogabilidade, e em certas partes, o tipo de cenários com que nos deparamos foram criados para este género de combate. Todas as armas são possíveis de se fazer upgrade, e algumas delas só assim se tornam letais, mas a parte mais interessante é mesmo a busca que teremos que fazer para encontrar itens que nos possibilitem a criação (em tempo real) de cocktail molotov, bombas de pregos, granadas de fumo e os indispensáveis medkits, que acreditem, são imprescindíveis para todas as situações com que nos iremos deparar. E este é o ponto onde o jogo mais brilha, visto que a capacidade que acabamos indirectamente por ganhar ao fazer uma busca a cada cenário, torna esta nossa aventura numa viagem sempre no fio da navalha, e em que cada erro poderá ser fatal.

Em termos práticos iremos jogar quase sempre com o Joel, sendo que a Ellie nunca se irá tornar num empecilho, bem pelo contrário. São muitas as vezes em que ela nos ajuda eficazmente nos combates e até na procura de itens, mas o ponto onde ela mais brilha é nos excelentes diálogos que tem com o Joel, onde através dessas conversas (mais uma vez em tempo real)explica muita da backstory que acaba por nos dar uma perspectiva completamente distinta do mundo em que estão, sendo que por vezes é bem diferente daquela que Joel conhece. Pensem em dois opostos, sendo que um foi obrigado a crescer aquando do aparecimento desta praga, ao passo que outro nasceu já com a praga no seu auge, possuindo por conseguinte outro tipo de opinião sobre a mesma. Este choque de identidades e de opiniões é brilhante, e pessoalmente é algo que infelizmente não estamos habituados a ver com regularidade.

Graficamente, estamos no auge da Playstation 3, e é bom ver que esta máquina ainda oferece jogos lindos como este. Embora ocorra num mundo virado do avesso, The Last of Us é sem dúvidas o jogo mais belo desta produtora e ombreia com os melhores nesta vertente. Acreditem que são demasiadas as alturas em que iremos parar para admirar o cenário, sendo que  a atenção ao pormenor por vezes irá oferecer momentos que certamente muitos irão recordar. Sem querer alongar-me demasiado, convido-vos a jogar o nível que ocorre no inverno e irão perceber o que estou a falar.

TLOU2

Já em termos sonoros, a banda sonora composta por Gustavo Santaolalla é brilhante, embora não vejamos muitas trilhas sonoras no jogo. Mas as que estão presentes demonstram bem a qualidade colocada no projecto, percebe-se bem a intenção de tornar este jogo sério, e fazer do silêncio e dos efeitos sonoros dos cenários e do ambiente a principal estrela nesta vertente. Em termos de vozes, a versão inglesa continua fiel aos anteriores títulos da produtora, mas foi na versão portuguesa que se notou as maiores diferenças e para melhor, do trabalho da Sony. Este é o primeiro título para a Playstation 3 que possuí personagens a dizer palavrões tão típicos do dia-a-dia, e que no fundo interligam-se bem com o tipo de situações que passamos. É sem sombra de dúvidas a melhor dobragem que tive oportunidade de assistir nos videojogos.

Além da excelente campanha, o jogo possuí um modo multi-jogador que segue um pouco a tendência dos Uncharted, embora com as mecânicas incorporadas neste jogo. Está longe de ser o “melhor multiplayer” tal como a Naughty Dog prometeu, mas no computo geral cumpre bem com a função, oferecendo boas doses do género para os fãs.

The Last of Us, é um título obrigatório para todos possuidores da consola da Sony. É sem sombra de dúvidas o melhor jogo desta produtora e é um exemplo fantástico de como um survival horror deve ser, e como pode também inovar o género mas mantendo as bases do mesmo, aplicando apenas as doses certas de alterações para o tornar num jogo imprescindível. Possuindo uma campanha fenomenal em todos os sentidos e uma boa longevidade que aliada ao multiplayer pode nos agarrar à consola durante semanas, este é certamente um dos títulos que irá estar nas votações para melhor do ano sem qualquer tipo de menosprezo para a concorrência. É um must play

Positivo:
+ Joel e Ellie
+ Longevidade
+ Jogabilidade apurada
+ Grafismo de “nova-geração”

Negativo:
– Para quando uma sequela???

Sai do templ… do Pixelhunt com:

Comments
3 Responses to “The Last of Us [2013]”
  1. Anónimo diz:

    A análise contem spoilers?

  2. Hugo Bessa diz:

    Não… O que disse já toda a gente sabe.

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