Dark Souls: Prepare to Die Edition [2011]

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Expectativas, preconceitos e ideias pré-concebidas podem ser os maiores inimigos quando estamos a escolher algo para jogar. Há certos jogos que em nada parecem ser a nossa cara, mas depois revelam-se como autenticas surpresas. Isso já me aconteceu diversas vezes, mas nenhuma com a magnitude de Dark Souls.

Deixem-me explicar de onde vinha o meu atrito com Dark Souls. Não gosto de boss fights em jogos, acho um elemento ultrapassado, um vestígio dos primórdios que hoje em dia não fazem grande sentido. Não gosto de jogos de elevada dificuldade, nesse aspecto sou um jogador casual que prefere uma experiência suave. Abomino jogos com save points limitados, cresci com os quick saves e detesto estar sempre a repetir as mesmas secções vezes sem conta. Hoje em dia já não tenho tempo nem paciência para jogos longos, ainda para mais com o meu backlog. Acho que dá para ter uma ideia do porquê ter estado constantemente a adiar jogar Dark Souls, simplesmente não é suposto ser um jogo para mim.

Nada mais errado. Hoje, Dark Souls é só um dos meus jogos favoritos dos últimos anos. Não há volta a dar. Mas antes de mais tenho de agradecer ao meu amigo Hugo Bessa que me encorajou a dar o passo em frente, tanta vez ele insistiu que certo dia foi de vez. Mas porque razão um jogo que não deveria ser do meu agrado conseguiu conquistar-me assim de forma tão arrebatadora?

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Mesmo hoje em dia não sei bem responder. Os primeiros minutos foram bastante maus, senti-me completamente perdido e sem grande motivação para desbravar terreno, mas pouco a pouco fui ficando mais uns minutos, aprendendo mais alguns aspectos e quando dei por mim… já estava agarrado. Acho que o primeiro elemento que acabou por ajudar a que eu ganhasse algum interesse e motivação, foi o combate. Ele é tão responsivo e “suave” que de certa forma ajuda o jogador e criar uma certa “fisicalidade” com o mundo de Lordran. O combate é tão bom que cada confronto é um momento especial, quase uma dança, um jogo de xadrez que, embora desafiante, raramente é injusto para o jogador. No meu artigo Assassinos Natos falei de como o combate e a violência está a ser mal implementada nos videojogos modernos e como uma das soluções seria dar uma maior individualidade ao combate. E Dark Souls faz precisamente isso, cada duelo é uma matéria de vida ou de morte, um momento especial que requer todas as atenções do jogador. Eu adorei esse lado mais… pessoal do combate.

Depois do combate ter conquistado a minha atenção, entrou em cena toda a atmosfera extremamente carregada e um ambiente muito… não sei bem explicar, tem uma certa grandiosidade decadente que muito gostei. Tudo isso aliado à desconfortável solidão da aventura, tornou a experiência em algo muito especial, muitas vezes apresentando elementos quase etéreos como se dum sonho se tratasse, é difícil de explicar. Depois do ambiente a “estocada final” foi o vastíssimo e rico lore  de Dark Souls. A história e lore mesmo sendo fascinantes são apresentados ao jogador de forma indirecta, minimalista e extremamente subtil, e pedem atenção e poder de dedução ao jogador ao não expor praticamente nada para além do vídeo introdutório. Esse facto leva a que muito desse lore tenha de ser lido e pesquisado pela net, aconselho em particular a Wiki do Dark Souls ou a série Prepare to Cry. É fascinante ler todas as histórias e lendas das personagens e depois vê-las “cara a cara” no jogo. Ganhei um fascínio tão grande por figuras como Artorias, Nito, Ornstein, Gwyn e por aí fora que quando os encontrei senti-me em frente a figuras maiores que a imaginação.

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Não posso deixar de falar da sua elevada dificuldade, pelo menos é essa a sua fama e de certa forma Dark Souls é conhecido precisamente por isso. Para ser sincero… embora tenha um elevado grau de dificuldade, não achei que estivesse “à altura” da sua fama, e ainda bem. Os picos de dificuldade centram-se em meia dúzia de bosses, mas de resto não foi muito mau. E eu não sou propriamente uma pessoa que se pode gabar de ter bons reflexos e coordenação. À excepção de uma mão cheia de momentos, Dark Souls não é injusto para com o jogador e normalmente sabemos sempre porque morremos e qual o erro que comentemos, e isso é o sinal dum jogo bem montado e de bases sólidas. O que acabou por causar maior frustração nem sequer foi a dificuldade em si, mas o posicionamento dos save points, aqui conhecidos como bonefires. Embora compreenda e aceite o uso deste sistema (que faz sentido neste universo) a forma como alguns deles estão espalhados (especialmente os que estão antes das zonas mais difíceis) revela pouco cuidado. Ter de repetir uma secção de 10 minutos (muitas delas de reduzida dificuldade) dezenas de vezes é cansativo e em nada eleva a experiência.

Mas é mesmo esse o espírito de Dark Souls e pouco mais há a fazer do que aceitar isso mesmo, aliás, mais do que isso, o jogador tem de abraçar esses factos. Todos vão morrer, todos vão morrer dezenas de vezes no mesmo ponto, todos vão repetir as mesmas sequências até à exaustão, todos vão ter mortes ridículas, todos vão perder milhares de almas por causa dum erro… o segredo para ultrapassar a frustração, a raiva e o desejo de desistir, que o jogo interpreta como ficar hollow (sempre vi os hollows no jogo como jogadores que desistiram na vida real) é mesmo abraçar esse facto inevitável e rir da própria morte.

As mecânicas de jogo são vastas, mas raramente nos são explicadas, cabe ao jogador descobri-las por si próprio. Só descobri muitas coisas básicas e centrais lendo a já referida Wiki ou através do meu amigo Hugo, caso contrário nem sei se usaria muitas dessas mecânicas. Sou completamente a favor dum jogo que trate o jogador como um adulto e não seja obrigado a dar a mão, mas também não a este ponto. Por exemplo acabei o jogo sem saber sequer como dar pontapés!DS

O port… o port para PC. É impossível deixar passar a forma como Dark Souls chegou ao PC originalmente, ou seja, com resolução e FPS limitados. O que acabou por o salvar foi nada mais nada menos que o esforço e dedicação dum fã, que após longas horas de trabalho lançou o DSfix, um pequeno mod que de certa forma corrige e “liberta” Dark Souls das amarras do mau port. É um mod obrigatório para quem quiser pensar sequer em tocar na versão PC. Infelizmente há certas coisas que nem um mod consegue resolver. O online no PC tem sérios problemas e nem sempre funciona. Para quem não sabe, Dark Souls tem um simples mas interessante sistema multiplayer que permite que jogadores entrem no jogo de outra pessoa durante determinadas circunstancias. Infelizmente no PC, talvez por causa do infame GFWL, as coisas quase nunca funcionam, pelo menos para mim. Acabei por matar todos os bosses a solo porque o summoning falhava 90% das vezes.

Há tanta, mas tanta coisa mais para falar, mas nem sei por onde pegar. O importante a reter é que, mesmo com os seus defeitos e limitações, adorei Dark Souls! Não é qualquer jogo que me agarra durante 80 longas horas sem nunca perder o gás e a motivação, ou que continua constantemente na minha cabeça mesmo quando não estou a jogar. É um feito ainda mais admirável no meu caso, porque no papel não deveria ser um jogo talhado para mim. É a prova que não devemos julgar algo antes de experimentar e que os preconceitos acabam sempre por nos cortar as asas.

Positivo:
+ Um lore riquíssimo e apaixonante
+ Combate perfeito
+ Extremamente desafiante e gratificante

Negativo:
– Algumas más decisões de design
Online no PC
– Um terrível port sem o mod DSFix

Sai do templ… do Pixelhunt com:

Comments
One Response to “Dark Souls: Prepare to Die Edition [2011]”
  1. Hugo Bessa diz:

    Muito, mas mesmo muito boa review, my friend.

    Sinto-me feliz por ter-te convertido à “febre do Dark Souls”

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