Vampyr – Vampiro [1932]

vampyr_poster_01Para o terceiro filme voltamos a cruzar o Atlantico rumo à Alemanha, com um filme que como o nome indica, é sobre vampiros.

Este não é definitivamente um filme fácil de descrever. Quem esperar ver aqui um tradicional filme de vampiros pode esquecer porque, mesmo se a história em si não fuja muito o que se espera, em tudo o resto nem por isso. Desde logo a sua atmosfera é muito única e particular, roçando o hipnótico, o que aliado a uma imagem esbatida dá aquela ideia de que estamos presos num sonho. Mas acho que o que melhor descreve Vampyr é o facto de que se parece desajustado, como que estando numa “terra de ninguem” sozinho, fora do seu tempo. Desde logo, mesmo tendo sido o primeiro filme sonoro de Carl T. Dreyer, ele ainda está preso à cinematografia de filme mudo. Parece um filme retido no tempo mas apanhado no meio duma revolução (que foi o som). Mas desenganem-se se pensam que isso o torna obsoleto e antiquado, porque Vampyr, em termos visuais e de camera é muito mais evoluído que os seus pares da época, vide o sonho do protagonista em que ele vê o seu próprio enterro, uma sequência muito bem filmada e criativa.

Na realidade é igualmente difícil coloca-lo num grupo especifico de filmes porque não se insere em nenhum dos movimentos populares da altura. Simboliza praticamente o oposto dos filmes que a máquina da Universal começava a colocar no mercado, mas também não segue o que a Europa, especialmente o expressionismo alemão (nesta altura já em decadência) continuava a fazer. Mais uma vez passa aquela sensação de ser um exercício à margem do tempo em que foi feito.

Mas se me perguntarem se gostei de Vampyr para além destas particularidades terei de dizer que nem por isso. Não achei a narrativa particularmente interessante, nem tão pouco as interpretações (embora tenha amado a transição do sorriso provocador da rapariga “infectada”). O ritmo é o indicado para a sua atmosfera etérea mas obrigou-me a lutar contra o sono 😀

Mas como quase sempre, gostei muito da descoberta, e é mesmo essa a razão porque que vale a pena fazer estas maratonas.

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