Onibaba [1964]

onibaba-movie-poster-1020418427Voltamos à maratona com mais um filme que desconhecia por completo, o único contacto foi através dum livro de cinema que tenho por cá. Achei a premissa muito interessante e o visual medieval japonês atrai-me bastante.

A premissa basicamente roda à volta de duas mulheres que durante as guerras medievais japonesas ganham a vida a matar samurais desafortunados que se perdem nos campos à volta da sua casa e a vender o despojos em troca de comida. Esta rotina acaba por ser abalada quando o amigo do filho da mulher mais velha regressa da guerra e desperta na mais nova impulsos sexuais. A partir dai Onibaba vai-se transformando muito lentamente e sem dar-mos por isso num filme de terror, culminando num ultimo acto muito bom e surpreendente.

É esse ultimo acto que acaba por dar uma identidade ao filme, porque antes disso não é muito claro que rumo Onibaba vai tomar, inicialmente mostra sinais dum drama familiar que se transforma numa história pseudo-romântica e finalmente segue um caminho de pura obsessão carnal impulsionada pelos mais básicos instintos humanos, não é coincidência que os três protagonistas estejam tão sujos, rotos e mostrem comportamentos primários, de certa forma comportam-se quase como animais. O homem regressado da guerra é controlado apenas por um impulso sexual, a mulher mais nova por uma necessidade de protecção e a mulher mais velha luta contra a mudança da sua rotina. É apenas com a chegada do misterioso samurai que o filme finalmente decide encarrilhar e a partir dai eleva-se de forma fantástica.

O ambiente é um dos pontos fortes de Onibaba, a par dos interessantes jogos de luzes que pintam de forma perfeita a fotografia a preto e branco do filme. O ritmo é lento, a progressão é alicerçada por comportamentos repetitivos e rotineiros das protagonistas e dá ao espectador toda a liberdade para absorver o som do vento e a calmaria do campo de erva alta. Finalmente, um destaque para a assustadora máscara que dá ao filme o lado mais assustador e memorável, de certa forma ela funciona como um espelho do monstro interior de quem a usa e ela foi usada de forma perfeita no ultimo terço do filme.

Gostei bastante, recomendo vivamente! Aconselho a verem uma versão com boa resolução porque a fotografia é muito boa.

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