Don’t Look Now – Aquele Inverno em Veneza [1973]

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A maratona entra na segunda parte da lista de filmes, ao mesmo tempo que visitamos a década de 70 com o britânico Don’t Look Now.

Mais um filme que ainda não tinha visto, mas este conhecia a sua fama, especialmente da existência dum twist final e duma cena de sexo que na altura foi polémica. De resto não conhecia muito mais nem sequer a sua premissa, premissa essa que se centra num casal que perdeu a sua filha num afogamento e tenta ultrapassar o posterior período de luto.

Contudo, Don’t Look Now vai bem mais além disso e mesmo se colocarmos de parte os elementos sobrenaturais de premonições, reparamos que este é um filme montado à volta de uma série de temáticas e simbolismos que dão uma segunda camada a este thriller. Refiro-me especificamente a thriller porque, embora seja fácil rotula-lo de terror, Don’t Look Now é claramente um thriller que vai buscar mais a Hitchcock do que ao terror que se fazia na altura.

Quer queiram-no ver como uma história do luto de dois pais ou um história de fantasmas, Don’t Look Now quase que implora um segundo visionamento porque os detalhes e as pistas que nos são dadas são tantas e tão bem espalhadas que o espectador começa a montar na sua cabeça, e sem se aperceber, uma série de puzzles que se vão montando com o tempo.

Mas mais impressionante que o argumento acaba por ser a realização do Nicolas Roeg em especial a edição que usa e abusa de transições rápidas e frequentes de diferentes linhas temporais que de certa forma ajudam o espectador a compreender a ideia central à volta das premonições mas também empregam ao filme uma frescura e um ritmo bem invulgares. Isto funciona particularmente bem durante a polémica cena de sexo que intercala o acto em si com os momentos em que o casal mais tarde se prepara para sair. É curioso que a principal razão para Roeg editar essa cena dessa forma foi primeiramente para fugir à censura que obviamente tinha problemas com algo assim tão explicito para a época. A cena é tão eficaz que ao longo dos tempos criou-se um mito de que o sexo entre Donald Sutherland e Julie Christie teria sido real.

Mas se calhar do que mais gostei foi de algo que não dá para medir nem quantificar, não é bem o ambiente mas mais a sensação de que o filme está sempre no fio da navalha, na corda bamba e que algo vai acontecer. No entanto nem sempre acontece, o espectador fica com aquela sensação de estranheza e ansiedade causada por todos os estranhos e bizarros pormenores que retiram qualquer sentimento de segurança. Os filmes de terror seguem tanto os mesmos moldes que quando aparece algo como Don’t Look Now ficamos, ou pelo menos eu fiquei, com um certo desconforto. Este é um filmo que leva o seu tempo num ritmo pausado e até se pode dizer que não acontece muita coisa, mas estava sempre com a ideia de que “algo está errado”.

Se tiver que apontar algo que não tenha gostado lá muito direi que a forma obvia como gravaram as vozes em pós-produção foi um pouco incomodativo. Mas é mais um bom filme que muito gostei, esta maratona está a ser uma boa colheita. Podem-no ver AQUI por exemplo com uma qualidade decente.

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