Série Blackwell

blackwell

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The Blackwell Legacy

legacyJá não jogava uma aventura gráfica há demasiado tempo. Sempre fui fã de aventuras mas por alguma razão tenho andado a ignora-las nestes ultimos anos.

Vendo a minha biblioteca saltou-me à vista a série Blackwell, composta por quatro pequenos jogos. Como são curtinhos decidi joga-los todos de seguida, o primeiro é este The Blackwell Legacy de 2006. Não conhecia muita coisa disto para além da premissa central de serem protagonizados por uma mulher e um fantasma, de resto não fazia ideia do que se tratava. Basicamente The Blackwell Legacy é um clássico point & click onde controlamos Rosa, uma mulher que se vê transformada numa detective sobrenatural que, aliada com um fantasma, parte em busca de espíritos que procuram salvação. Imaginem o Ghost Whisperer com um certo elemento noir e sem as mamas da Love Hewitt.

Sendo este jogo a introdução, podem esperar um arranque bastante lento, de tal forma que o fantasma Joey só aparece só lá para meio do jogo, é apenas aí que The Blackwell Legacy começa e criar a seu própria identidade e a tornar-se mais interessante. A dualidade entre a Rosa e o Joey é de longe o melhor aspecto do jogo e a escrita suporta bem esta relação, embora o voice acting, especialmente da Rosa, deixe bastante a desejar.

A jogabilidade é bastante básica e centra-se quase exclusivamente em puzzles de diálogos e investigação. Não esperem encontrar puzzles clássicos de iventário ou slide puzzles porque não terão sorte, os desafios são quase todos centrados em diálogos e na angariação de pistas que podem (e devem) ser analisadas para progredir na investigação. Como consequência, The Blackwell Legacy é um jogo bastante acessível que não requer a utilização de walkthroughs.

É uma aventura simpática, o estilo gráfico retro tem o seu charme, mas honestamente acho que funcionaria melhor com um estilo cartoon mais limpo e com um traço mais fino.

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Blackwell Unboundunbound

Primeira surpresa, Blackwell Unbound não é uma sequela directa, mas sim uma prequela. Segunda surpresa, passa-se nos anos 70. Terceira surpresa, a protagonista é a tia da Rosa que tinha acabado de morrer no primeiro jogo. É muito interessante que tenham escolhido outros membros da família Blackwell, será que cada jogo vai ser um elemento novo?

Desde logo é bem aparente que este novo capitulo tem um ambiente um bocado diferente, a musica jazz dá uma atmosfera ainda mais melancólica e soturna ao jogo, o lado noir está ainda mais presente, e o feel dos anos 70 encaixa na perfeição na ideia central destes jogos. Outra coisa que também saltou à vista é o quão melhor é a actriz que dá voz à Lauren, o que também a torna bem mais interessante que a Rosa, no entanto, não é justo compará-las porque são muito, muito diferentes. Se a Rosa era introvertida e quase anti-social, a Lauren é o oposto, senhora de si, independente e sociável. O Joey mantém-se na mesma e e relação entre eles também é muito porreira, gostei de ver a cumplicidade entre os dois, já que ao contrário do que acontecia coma Rosa, aqui eles já trabalham juntos há muito tempo.

Demorei menos tempo a termina-lo do que o primeiro jogo, os puzzles são igualmente acessíveis, mas gostei mais desta história, e também da Lauren. Vamos ver o que me reserva o terceiro jogo.

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Blackwell Convergence

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Surpresa, surpresa! Estamos de volta ao presente, de novo no controlo da Rosangela. Não posso dizer que tenha sido uma boa noticia porque gostei mais da Lauren, mas devo confessar que com o passar do jogo consegui engraçar de novo com ela.

Este é o maior jogo dos três, pareceu-me um pouco mais longo e bem mais complexo, já que nos apresenta uma série de diferentes mini narrativas que graciosamente se interligam, não só com a história principal de Blackwell Convergence, mas também com os outros dois jogos, o que é digno de nota e o grande ponto forte deste terceiro capitulo. O elenco é muito maior que os anteriores jogos e os puzzles embora mantenham o mesmo estilo, ou seja, à base do dialogo, conseguem ser um pouquinho mais desafiantes, fiquei inclusive um pouco perdido em algumas sequências, o que é positivo, mais não seja para que isto não se limite a ser apenas uma história interactiva.

Há algumas alterações na arte (que é algo que vai sofrendo retoques de jogo para jogo) mas mantém a mesma identidade típica do motor AGS. Quanto mais os jogo, mais desejo que esta série corresse num motor mais moderno e flexível, mas é algo que nunca irá mudar I guess. A musica abandonou o estilo jazz/noir do segundo jogo e voltou ao registo do original, o que faz sentido tendo em conta que é uma sequela directa.

Não há muito mais a dizer, vale pela sua história e pela forma como consegue unir os três jogos dentro duma narrativa muito sólida e que faz sentido, coisa rara em trilogias.

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Blackwell Deception

convergence

Finalmente, o derradeiro capitulo (pelo menos até sair o próximo, intitulado de Epiphany) de série, no entanto é tudo menos um desfecho, na verdade é mais um reinicio. Após o final de Convergence, que encerrou a trilogia centrada na figura da Condessa, Deception inicia uma nova história, agora com uma organização secreta como antagonista. Não esperem, contudo, um completo rompimento com o passado, este é um jogo que se liga bem com o resto da série e referencia-a muitas vezes, portanto não tenham medo de sentirem qualquer descaracterização, continua a ser um bom jogo Blackwell.

Este é de longe o maior e mais desafiante dos quatro jogos, e também o mais ambicioso, especialmente no volume de conteúdo, como diferentes localizações e o numero de diálogos. No entanto, acho que também é o que menos gostei, se calhar porque também já estava a ficar cansado de tanto Blackwell seguido. A história já não se liga tanto ao que vimos nos anteriores jogos, demora um pouco a arrancar e a ficar interessante, porém, a parte final é muito boa e revela alguns pormenores do passado do Joey e a amizade entre ele e a Rosa é aqui posta em causa.

Nota-se uma ligeira mudança na arte, aqui muito mais detalhada com mais pormenores, e um trabalho muito mais avançado ao nível de animações e luz, no entanto os movimentos das personagens parece-me bem inferior, muito mais rígidos, o que é estranho, porque em tudo o resto sofreu uma melhoria substancial.

De resto só posso falar bem duma série que nos apresenta uma boa história sem grandes alaridos nem complexidades desnecessárias, coisa que hoje em dia é infelizmente cada vez mais rara. Vivemos numa industria que preza o espectáculo e o choque, no entanto as melhores histórias são as mais simples e genuínas como as desta simpática série.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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