Gone Home [2013]

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Todos sabemos que de forma geral os videojogos são direccionados para um público no pico da puberdade, portanto são imaturos, burros e superficiais. Felizmente há e sempre houve diversos mercados nicho, que fazem jogos diferentes para pessoal um pouquinho mais exigente que procura alguma sensibilidade artística num meio que ainda não se libertou do estigma de brinquedo.

Há um novo movimento artístico que tem vindo a crescer e de que forma nos últimos anos que se enquadra nesse mesmo nicho. Embora seja um herdeiro das clássicas aventuras gráficas, esta nova onda surgiu há uns anos com mods como Dear Esther e Radiator por exemplo, mas realmente explodiu com o lançamento da versão comercial do já mencionado Dear Esther a que se seguiram jogos como The Stanley Parable, The Novelist, Proteus, Thirty Flights of Loving e por aí fora. É um género que abandona as noções tradicionais de interactividade e aposta numa narrativa indirecta e ambiental onde a história é contada maioritariamente através do seu mundo em vez de exposição directa.

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É aqui que entra em cena este Gone Home, um perfeito exemplo deste novo movimento artístico e a meu ver um dos que melhor encapsula todas as características deste sub-género. Os grandes pontos de interesse são, como não podia deixar de ser, a narrativa e a exploração, dois elementos intimamente ligados, mais não seja porque a narrativa só se desenrola através da exploração feita numa casa que mais parece um livro aberto sobre a história da família Greenbriar. Cada parede, objecto, som, etc estão montados apenas para nos contar uma doce, carinhosa e emotiva história de amor que obviamente não adiantarei quase nada para não estragar o prazer de a ir descobrindo.

Ao contrário de Dear Esther, que abandonou quase por completo a interactividade, Gone Home ainda mantém muitos traços tradicionais. Podem (e devem) pegar em qualquer objecto, abrir portas e por aí fora, até encontrarão vestígios de puzzles o que é muito mais que Dear Esther alguma vez nos apresentou. Mas interactividade não é significado de qualidade per se, Dear Esther foi perfeito para mim exactamente por isso mesmo e a verdade é que por vezes Gone Home sofre pelas restias de interactividade que ainda tem. Num par de vezes o ritmo da exploração quebrou-se por completo porque não conseguia encontrar um objecto essencial para a progressão da história, para o encontrar tive de fazer pixel hunting (que dá bons nomes para blogs mas está ultrapassado em pleno século XXI) por toda a mansão, o que foi bastante frustrante.

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A atmosfera é sublime, a tempestade que ruge lá fora e todas as sombras e jogos de luzes tornam a casa surpreendentemente assustadora, mesmo que nada de particularmente assustador alguma vez surja em cena. Mas o que brilha mais alto são todas as referencias à cultura popular dos anos 90, é uma autentica carta de amor à ultima décadas do século XX, se cresceram nesse período joguem isto por favor! E mais não digo.

Mas Gone Home é uma excelente experiência que obviamente vos aconselho a descobrir caso procurem uma boa historia, bem estruturada, suportada por uma fantástica atmosfera e um brilhante voice acting. Se não gostaram de Dear Esther então vão-se embora e ganhem bom gosto seu sacanas!

Ah!

Positivo:
+ Narrativa
+ Atmosfera
+ Voice acting

Negativo:
– “Pixel hunting” quebra o ritmo da experiência.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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