Papers, Please [2013]

papers-pleaseCaido meio de para-quedas no ano passado, Papers, Please afirmou-se como uma das maiores surpresas de 2013 e um sério candidato a jogo independente do ano. Também eu fui surpreendido, nem tanto pela sua qualidade mas… pelo jogo em si. Quem diria que um simulador burocrático poderia ser assim tão empolgante!

É certo que nos últimos tempos se tem transformado num dos meninos queridos daquele pessoal hipster pretensioso, mas a verdade é que é impossível negar o quão bom é, de tal forma que entrou facilmente na minha lista de melhores jogos do ano. Bom, mas esclarecidos que estamos em relação à sua qualidade, o que raio é Papers, Please?!

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Honestamente é difícil de o caracterizar… uma aventura point & click? Um simulador burocrático? Um jogo de puzzles? Sim, mas é também mais que isso. A premissa é simplicíssima, somos um pai de família que inicia o seu novo emprego num posto fronteiriço numa republica soviética fictícia de nome Arstotzka. Aí farão o que se espera dum cargo deste tipo, ou seja, controlam quem passa a fronteira verificando todos os documentos obrigatórios para conseguirem um visto. Porém, Papers, Please realmente brilha nas consequências disso mesmo, isto é, no contacto com as pessoas que passam diariamente na fila à procura duma oportunidade para entrar no pais.

É esse contacto humano que nos coloca diante uma série de terríveis dilemas que na prática acabam por dar vida ao jogo. O dilema entre a lealdade ao país, aos rebeldes, e à família leva-nos a ser constantemente convidados a questionar o nosso compasso moral. O que é moralmente correcto vai contra o mais básico instinto de sobrevivência? O que farão pelo bem estar da vossa família? Vale a pena entrar em guerras politicas e ideológicas? Papers, Please é um brilhante comentário social que inteligentemente usa as suas mecânicas para provocar o jogador.

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De forma extremamente perspicaz, usa as suas mecânicas para mergulhar o jogador num papel que a vida real seria provavelmente o mais aborrecido que se pode imaginar, e há sempre esse risco de Papers, Please se tornar tão entediante como a actividade que simula. Quem não conhece a deliciosa realidade de empregos repetitivos, desorganizados, mal geridos, sem qualquer empatia humana, onde a cada dia as regras mudam e mais e mais trabalho se reúne em cada vez menos e menos mãos? Eu conheço como a palma da minha mão (vida de quem trabalha na Nokia Solutions) e chegou a ser deveras perturbador a forma como Papers, Please tão bem retrata essa triste realidade. A beleza disto tudo é que aqui essa realidade se torna desafiante e empolgante! O que é curioso e uma prova de como a ideia base do jogo funciona.

É certo que mais para o final isto torna-se um pouco saturante, e apenas suportei a extrema repetição para poder ver aqueles pequenos momentos que nos deixam com o coração aos pulos. Mas essa repetição acaba por ser uma… necessidade artística para poder transmitir a mensagem.

Resumindo e concluindo, Papers, Please é um excelente jogo e um bom exemplo de como uma boa ideia é o mais importante para construir algo interessante.

Positivo:
+ Dilemas morais
+ Mensagem e comentário social
+ Humor negro

Negativo:
-Repetitivo

Tempo de Jogo: 9 Horas
Completo: História. 3 finais.

Sai do templ… do PixelHunt com:

Comments
2 Responses to “Papers, Please [2013]”
  1. Deon diz:

    Hurrah! After all I got a weblog from where I be capable of
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  2. Anónimo diz:

    eu queria jogar

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