Nymph()maniac – Ninfomaniaca [2013]

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Envolto em toneladas de polémica, o mais recente filme de Lars von Trier prometia ser mais um exercício de desconforto depois de Antichrist, não fosse ele centrado em sexo. Uma pessoa fica sempre de pé atrás nestes filmes polémicos porque normalmente é difícil ler ou ouvir opiniões imparciais, pouca gente consegue desligar-se da polémica e entram em extremismos. Mas pelo vosso direito a uma informação clara e imparcial lá me aventurei para mais uma viagem à mente do Von Trier.

E viagem é uma boa palavra para falar sobre Nymphomaniac, este filme é acima de tudo uma longa viagem pela vida de Joe, uma mulher cuja dependência por sexo dá nome ao filme. É interessante criar certos paralelismos com o Shame do Steve McQueen, no entanto se o filme do inglês é mais realista e subtil na forma como mergulha no vicio do protagonista, Nymphomaniac nunca tem vergonha (lol) de se mostrar muito mais “espampanante”, indo muito mais directo ao assunto. Mas com isto não pensem que seja barato ou vulgar como um filme pornográfico, como tanto se leu por aí. Vamos lá colocar esse espírito puritanista de lado e ser sinceros. Sim, tem cenas gráficas mas nunca cai no extremo do que se leu por aí, tirando alguns casos pontuais (a cena dos dois africanos super apetrechados…?) as cenas gráficas não chocam, pelo menos não a mim. Já todos vimos o que nos mostram, não se façam de esquisitos.

Bom, mas felizmente Nymphomaniac consegue ir mais além das cenas de sexo e surpreendentemente conta uma história interessante q.b. com as aventuras sexuais de Joe, mergulhando muitas vezes para territórios tematicamente negros e genuinamente sérios, tratados com tacto e seriedade. A história está dividida numa série de capítulos que contam diferentes episódios da sua vida, uns mais interessante que outros, mas acho que o mais fascinante disto tudo foi ver as suas interacções com a personagem do Skarsgard e na forma como ele criava sempre paralelismos com os mais variados temas.

No entanto não é menos verdade que o filme tem problemas. É demasiado longo para o seu bem (contudo é inegável que no final temos aquela satisfação da sensação de que percorremos uma longa viagem) e temos sempre que suportar aquele estilo artsy do Von Trier que se leva demasiado a sério. Não é decididamente para todos. Mas o pior é mesmo o final… não tenho muitos adjectivos para o descrever… merdoso talvez? Foi uma enorme desilusão e a meu ver foi contra o que o filme tinha vindo a mostar durante as 3 horas. Inenarrável! bah…

Gostei da viagem e gostei de seguir a vida da protagonista, mas honestamente não posso dizer que tenha adorado.

Originalmente de 2013, estreou em Portugal em 2014

Comments
2 Responses to “Nymph()maniac – Ninfomaniaca [2013]”
  1. N diz:

    Enfim uma análise imparcial e livre de falsos anti-moralismos.
    Durante toda a Idade Média e Moderna a arte teve um forte caráter moralizador, em que farsas, autos e afins, fundamentados em valores e crenças peculiares a cada época e cultura, denunciavam as imoralidades e hipocrisia das diversas camadas e estratos sociais.
    Já na Idade Contemporânea – especialmente no pós-Nietzsche -, é evidente a mudança do alvo da crítica, que passou a ser não mais a hipocrisia e as – assim concebidas – imoralidades, mas os valores e a própria moral em si.
    Em um primeiro momento, isso representou um grande passo da mentalidade humana, que a levou a questionar valores quase que dogmáticos (e, por isso, inquestionáveis até então), como “por que é ‘certo’ casar na Igreja e com quem meus pais querem e é ‘errado’ seguir meu coração e casar com que EU quero? O que é ‘certo’ ? O que é ‘errado’ ?”.
    No entanto, em um segundo momento, me parece que a arte das massas tem caído em um fúltil vício de questionar os valores apenas por questionar, de questionar a moral apenas porque faz polêmica e polêmica dá lucro, de questionar apenas porque esse é o calor do momento, sem nenhum ou quase nenhum espírito realmente crítico e/ou engajado com reais aspirações sociais, e sem se preocupar com o resultado disso tudo.
    E, ao meu ver, é esse o contexto da trama. O longa parece tentar fazer uma crítica da moral, mas o evidente objetivo de polemizar a discussão para expandir o público consumidor e o questionar apenas por questionar, sem real espírito crítico, parecem puxá-lo de volta para o senso comum.
    Enfim, para concluir, me parece que nossa sociedade, por falta de consciência e bom senso, ainda não estivesse preparada para esse tipo de discussão, para essa crítica aos valores e a moral, e temo que essa falta de bom senso possa levar ao senso comum a questionar e problematizar o óbvio; temo que em pouco tempo se esteja questionando “por que trair é errado?”, “por que usar as pessoas para satisfazer meus desejos sádicos é errado?”, “por que respeitar é certo?” e “por que matar é errado?”.

    Obs.: agora estou entendendo na pele a importância social que Deus teve em certos períodos históricos e que ainda tem em certas sociedades do mundo…

    • Muito obrigado pelo seu excelente comentário informativo e esclarecedor, N! ^^
      E concordo inteiramente consigo, especialmente no objectivo principal que Von Trier tinha com este filme.

      Volte sempre, é bom ter leitores assim😀

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