The Swapper [2013]

swapper

Quem me costuma ler já deve ter reparado que jogo muita coisa indie, e que grande parte deles são puzzle platformers, descendentes directos do sucesso de Braid em 2008. Também já devem ter reparado que sou um forte critico desses jogos quando não conseguem evoluir mais do que a sua interessante mecânica central.

É “fácil” (notem as aspas, é óbvio que não é literalmente fácil) criar uma ideia central interessante, mas muito difícil fazer um jogo realmente interessante a partir disso, senão vejamos o que escrevi sobre outros jogos que se encaixam neste grupo:

Snapshot

É bastante interessante e penso que nunca a vi em mais lado nenhum, muito sucintamente podemos tirar fotografias a objectos e colar essa mesma foto (e objecto) noutra parte do cenário que bem entendermos. É espectacular mas…  nunca consegue ir além disto.

Closure

À semelhança de tantos outros jogos do género, Closure funciona mais como uma prova de testes do que propriamente um jogo, ou seja apresenta-nos uma mecânica inovadora (e é mesmo, nunca vi nada assim) e basicamente monta uma série de níveis e puzzles à volta disso sem qualquer história ou fio condutor.

Scibblenauts Unlimited

Scribblenauts Unlimited foi uma pequena desilusão, se no papel parecia algo incrível, na pratica não passa dum jogo mediano com uma guimmick engraçada e com potencial, mas que nunca passa disso mesmo.

theswapper

E isto é apenas a ponta do icebergue, é óbvio que louvo todas estas interessantíssimas ideias, mas no final das contas o que procuro é um bom jogo que as saiba usar. Mas tudo isto serve apenas para dizer que The Swapper consegue fazer isso mesmo. É um excelente jogo.

Com os restantes jogos que mencionei partilha uma mecânica central muito interessante com tremendo potencial, basicamente é-nos possível criar um série de clones e saltar entre eles, porém, The Swapper consegue mesclar essa mecânica que por si só é apenas um feito técnico, dentro da sua história de forma exemplar. O que no papel funciona apenas como uma mecânica, na prática usa-a de forma a colocar questões filosóficas sobre a essência do que é ser humano.

A possibilidade de criar dezenas de clones e saltar entre corpos levanta diversos dilemas, desde logo a duvida do que nos torna humanos e seres individuais. Serão os traços físicos? Personalidade? Quando saltamos do nosso corpo para um clone o que isso vai tornar o corpo original? E depois de saltar entre centenas de corpos, onde é que reside a nossa individualidade? Na nossa memória? Talvez. Mas mesmo essa ancora torna-se falível quando se lêem relatos de que a cada swap o utilizador perdia parte da memória. É fascinante e chega a ser bastante assustador e perturbador pensar nisso quando vemos uma das nossas copias a morrer ao nosso lado.

The Swapper levanta questões muito pertinentes e arrojadas e acaba por elevar o jogo duma uma mera colecção de puzzles bastante inteligentes e desafiantes, se bem que a FANTÁSTICA arte não fique nada atrás. Modelado a partir de barro, os cenários de The Swapper são realmente deslumbrantes e conseguem transmitir uma atmosfera claustrofóbica e isoladora, muito inspirado por algo como Alien por exemplo.

É um excelente jogo, um dos melhores de 2013 e leva um enorme recomendado.

Positivo:
+ Mecânica central.
+ História.
+ Magnifica atmosfera.
+ Design artístico.
+ Puzzles desafiantes…

Negativo:
– … às vezes até de mais.
– Podia ser um pouquinho mais longo.

Tempo de Jogo: 6 Horas
Completo: Singleplayer.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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