The Fly – A Mosca [1958]

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Despedimo-nos da década de 50 com um dos melhores híbridos entre ficção cientifica e terror, The Fly.

Já por cá falei do remake do Cronenberg que é um dos meus filmes favoritos dos anos 80, no entanto essa versão é diferente o suficiente desta original para que eu a chame de adaptação em vez dum tradicional remake, isto porque ambos os filmes são baseados numa short story.

Devo dizer que gosto muito desta versão, veio numa altura em que o género caminhava de forma segura no típico registo série b onde as ameaças eram exteriores e não tanto envoltas no nosso próprio terror interno, como nos clássicos dos anos 30. The Fly veio cortar um pouco com a tendência da altura e de certa forma ajudou a virar a página para novos registos um pouco mais sérios. Mas não esperem um corte total, The Fly ainda trás arrastado muitos aspectos típicos da década, um lado às vezes campy, mas que encaixa bastante bem com o seu lado mais sombrio.

Uma das maiores diferenças entre esta mosca e dos anos 80 é a forma como se dá a transformação do protagonista. Se na versão do Cronenberg o espectador segue a lenta e terrível transformação do Seth Brundle ao longo do filme, aqui ela da-se instantaneamente e o grande build up é a revelação da sua cara. E que momento esse! Sem duvida a melhor cena do filme e arrisco mesmo dizer das melhores do cinema de terror. Tão memorável e tão creepy!

A transformação de Andre é essencialmente mental, a cada dia que passa a personalidade da mosca vai-se tornando cada vez mais forte o que o leva a cometer “suicídio”. É uma ideia genuinamente assustadora pensar perder a nossa consciência para algo inumano. Talvez mais assustador é pensar no caso inverso, ou seja uma mosca com cara humana e o progressiva evolução mental da parte humana! Sim porque aqui isso é mesmo o que acontece, infelizmente a execução não é das melhores e haverá muita gente que certamente soltará algumas gargalhadas com o “heeeelp meeeee” 😀

Vincent Price, um dos mestres do terror, dá aqui uma perninha com a sua incrível presença e aquela voz hipnotizante e segura, no entanto a sua performance, assim como de todo o elenco, é tipicamente teatral não fosse este um filme saído bem das entranhas dos anos 50. Contudo as personagens têm uma relativa densidade e profundidade, o que me surpreendeu, numa altura em que os filmes série b eram reis e senhores.

Excelente filme, é certo que têm dificuldades em sair do cliché “cientista-desafia-deus-e-paga-por-isso” mas não deixa de ser muito bom. Amanhã saltamos no tempo para os anos 60 com o The Time Machine,, até lá aproveitem para ver este The Fly.

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