The Time Machine – A Máquina do Tempo [1960]

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De Jules Verne regressamos a mais uma adaptação duma obra do H. G. Wells, a que, pessoalmente, acho mais interessante, The Time Machine.

Curiosamente só existiram duas adaptações do seu romance no cinema, esta e a de 2002 com o Guy Pearce. Numa obra tão famosa e influente, uma pessoa fica sempre com a ideia que seria muito mais popular em cinema. É esta versão que acaba por monopolizar a imagem que a cultura popular tem do livro e foi na altura extremamente popular e influente.

Embora seja um filme já dos anos 60, na realidade é de corpo e alma ainda um típico exemplo do cinema fantástico dos anos 40 e 50, ainda preso por muitas características tradicionais que ao longo dos anos 60 iriam cair em desuso. É um filme mais próximo dum The War of the Worlds (o que é de esperar vendo que o realizador é o mesmo) estreado sete anos antes, do que dum Planet of the Apes ou 2001: A Space Odissey por exemplo, filmes estreados sete anos depois.

Onde The Time Machine realmente brilha é nos seus magníficos efeitos visuais (que lhe valeram um Oscar em 1960) que aproveitam as particularidades que a história oferece, em especial os efeitos da passagem do tempo. Ao usar efeitos como o stop motion, o filme consegue mostrar algumas cenas que anos antes seriam bastante complicadas de elaborar e ajudam, e de que forma, a tornar a ideia de viagens no tempo em periodos vitorianos estranhamente realistas e plausíveis, muito mais do que se o protagonista viajasse instantaneamente entre tempos.

Embora tenha gostado, acho-o extremamente desequilibrado, a primeira parte é excelente e o build up que se forma antes do protagonista partir na aventura (e a viagem em si) é de longe o ponto alto do filme. Infelizmente a segunda parte é bem menos apelativa e cai em quase todos os estereótipos de serie b, temos monstros ridículos, donzelas indefesas que precisam sempre de ajuda do homem ocidental, um romance forçado em que a mulher fica de beicinho caído em minutos e mulheres bonitas por todo o lado😀

Assim, o que originalmente era um interessantíssimo comentário social e até politico (com forte ênfase nos comentários teóricos de Marx) acaba aqui por ser pouco mais que um divertido filme de aventuras. Mas não deixa de ser um bom filme.

Por falar em bons filmes e viagens no tempo, amanhã teremos um dos meus favoritos, Planet of the Apes.

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