Dark Souls 2 [2014]

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É difícil falar dum jogo que duma forma ou de outra se compara directamente com um dos meus favoritos de sempre. Dark Souls 2 nunca teve qualquer hipóteses de se livrar daquele trago a desilusão porque a montanha que teria de escalar era colossal.

Portanto queria tentar não o julgar aos olhos da obra prima que é o seu predecessor e vê-lo de forma isolada, longe da sombra dum jogo que praticamente definiu a forma como jogo hoje em dia, mas é muito difícil. Depois de Dark Souls nunca consegui ter a mesma vontade e prazer em jogar, quase tudo em comparação parece-me tão desinteressante que desde então não posso dizer que tenha sentido genuíno prazer a jogar.

Dark Souls 2 conseguiu em parte fazer-me recuperar esse prazer perdido, o que é normal porque na sua base é mais do mesmo, se não fosse as mais de 70 horas de conteúdo que me deu, quase que o chamaria de expansão. É certo que há algumas alterações importantes, mas na sua base é o mesmo jogo. Portanto, é natural que me tenha agarrado como o original, mas ainda assim fica a nota de que demorei cerca de 2 meses para terminar as suas 70 horas.

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As mecânicas, design e filosofias são tão idênticas que é melhor (e mais rápido) recuperar alguns dos comentários que teci sobre Dark Souls. São coisas que se mantêm relevantes.

O combate é tão bom que cada confronto é um momento especial, quase uma dança, um jogo de xadrez que, embora desafiante, raramente é injusto para o jogador(…) cada duelo é uma matéria de vida ou de morte, um momento especial que requer todas as atenções do jogador. Eu adorei esse lado mais… pessoal do combate.

O combate é honestamente do melhor que já vi e sofre aqui uma importante evolução em relação ao original. Mais opções e variedade no entanto nem sempre aproveitado em bons confrontos. Os inimigos de Dark Souls 2 ficam um pouco aquém, especialmente os bosses que para além de não serem memoráveis (salvo raras excepções) apresentam pouca originalidade e variedade, sendo que a esmagadora maioria centra-se à volta de seres bípedes o que é um pouco desapontante tendo em conta a originalidade do primeiro jogo.

O ambiente é muito… não sei bem explicar, tem uma certa grandiosidade decadente que muito gostei. Tudo isso aliado à desconfortável solidão da aventura, tornou a experiência em algo muito especial, muitas vezes apresentando elementos quase etéreos como se dum sonho se tratasse (…) A história e lore mesmo sendo fascinantes são apresentados ao jogador de forma indirecta, minimalista e extremamente subtil, e pedem atenção e poder de dedução ao jogador ao não expor praticamente nada para além do vídeo introdutório.

O mundo de Drangleic é diferente de Lordran… ou então não. São mundos que embora tenham diferentes tonalidades e ambientes, apresentam inúmeras ligações e semelhanças que indicam fortemente que são o mesmo local. Não sei se é oficial ou apenas uma teoria mas é essa a ideia com que fiquei. A história insiste em ser o mais vaga e escondida possível, ainda mais que no primeiro jogo. Contudo, se forem veteranos de Dark Souls já sabem como ela se esconde e como ela se revela. A história sinceramente é interessante (o lore ainda mais), tanto como a de Dark Souls, mas a meu ver ainda demora mais a arrancar que a original e as primeiras dezenas de horas são passadas literalmente na mais completa ignorância. Mas faz parte.

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O design do níveis mantêm a mesma filosofia do original na medida em que tudo se interliga, se bem que sejam muito mais lineares o que acaba por desiludir um pouco porque perde o espírito de exploração. Há igualmente aqui uma outra importante alteração que de certa forma abala um pouco a perfeição do seu predecessor. Logo de inicio temos a possibilidade de fazer fast travel (no original essa possibilidade era desbloqueada apenas na 2ª parte com o Lord Vessel). Esse facto leva a que o jogador possa (e deva) viajar através de bonfires em vez de a pé. Disse deva porque a única forma de fazer level up é na bonfire central (através duma personagem importante), portanto sempre que o jogador queira “levlar” terá sempre que usar o fast travel. Compreendo a decisão, mas a meu ver acabou por alterar para pior as fundações sólidas e balanceadas da experiência Dark Souls, e de certa forma também diminui um pouco a dificuldade.

Todos vão morrer, todos vão morrer dezenas de vezes no mesmo ponto, todos vão repetir as mesmas sequências até à exaustão, todos vão ter mortes ridículas, todos vão perder milhares de almas por causa dum erro… o segredo para ultrapassar a frustração, a raiva e o desejo de desistir, que o jogo interpreta como ficar hollow (sempre vi os hollows no jogo como jogadores que desistiram na vida real) é mesmo abraçar esse facto inevitável e rir da própria morte.

Por falar em dificuldade, sempre houve aquele medo de que a From Software tornasse esta sequela numa experiência mais acessível para os novatos e de certa forma é o que aconteceu tendo em conta algumas decisões e design, contudo não temam porque continua a ser um jogo desafiante. Pessoalmente até achei os bosses duma forma geral mais complicados que no original, especialmente porque raramente temos confrontos 1 vs 1. Claro que sempre podemos pedir ajuda externa através do seu peculiar sistema multiplayer. Sistema esse que raramente usei no original por causa o GFWL, no entanto pude usa-lo aqui à vontade (felizmente usa steamworks) e que bem que soube! É um sistema tão simples mas extremamente eficaz.

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Em termos técnicos é mais que evidente que corre numa versão melhorada do motor de jogo do original, e não há qualquer problema com isso. No entanto o que mais me desiludiu foi a forma como a From Software fez um claro downgrade gráfico em relação a todo o material promocional, à versão beta e demos que mostrou antes do lançamento. O que era um jogo graficamente interessante tornou-se num produto insosso e sem sabor. Claro que a parte artística é excelente, mas como sequela merecia um upgrade gráfico mais considerável. Felizmente o port para o PC é brilhante, em clara oposição à miséria apressada do primeiro jogo. A performance é muito boa e suave e com alguns mods gráficos como o já famoso ENB, as coisas quase que se aproximam aos visuais do material promocional.

Resumindo e concluindo, Dark Souls 2 é um extraordinário jogo, mas uma pobre sequela. Fica a clara sensação de que é o irmão menos carismático e tímido da família, tem muitas virtudes mas como os irmãos também as têm e já as mostraram ele prefere ficar na sombra sem que ninguém lhe dê grande atenção. E é pena. Temo que futuramente ele se deixe relegar completamente para a sombra dos seus irmãos mais velhos, Demon Souls  e Dark Souls.

Positivo:
+ É mais Dark Souls.
+ Sistema online a funcionar na perfeição.
+ Combate ainda melhor.

Negativo:
Downgrade gráfico em relação ao material promocional.
– Algumas alterações estruturais.
– Pouco ambicioso.

Tempo de Jogo: 73 Horas
Completo: Singleplayer

Sai do templ… do PixelHunt com:

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