Alien Isolation [2014]

alien

Alien é porventura o meu filme favorito, basicamente conjuga na perfeição terror e sci-fi, que são os meus género de eleição (não fizesse eu maratonas todos os anos), portanto podem ter uma ideia do quão feliz fiquei quando Alien Isolation foi anunciado.

“Mas Berto! O que não faltam são jogos Alien, não te queixes.”

Nem por isso caro leitor! Desafio-o a numerar 3 jogos centrados no filme de 1979. Pois, esses todos são muito Cameron e pouco Scott.

Embora seja um dos filmes mais aclamados de sempre, estranhamente nunca foi um alvo muito apetecido dentro da industria dos videojogos, não sei se é difícil de traduzi-lo num cenário interactivo, mas a verdade é que o seu irmão mais novo, Aliens do James Cameron, sempre foi o menino querido da industria. São inúmeros e incontáveis os jogos baseados na sua sequela, porém contam-se pelos dedos das mão os que se inspiraram no filme original (e superior) de 1979.

Pois bem, não se aflijam porque finalmente temos um jogo que realmente faz jus ao clássico intemporal do Ridley Scott e podem agradecer à equipa menos provável que podem imaginar, a Creative Assembly, que, claro, são reconhecidos pela excelente série Total War. Na verdade é facil perceber porque Aliens é mais popular, é um filme de acção com combate, marines e explosões (mas não só, tem também bom suspense), os ingredientes predilectos da industria, enquanto que Alien é, em comparação, um filme muito mais comedido.

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Se quisermos ser assim muito directos podemos dizer que no seu nucleo, Alien é um slasher movie. No espaço. Com um extraterrestre. E um slasher é na sua essência é um clássico jogo das escondidas como os que jogávamos em criança, com a unica diferença que o resultado final é a morte. Aproveitando a explosão de popularidade que Amnesia: The Dark Descent e Slender despoletaram num género nicho, que é o survival horror na primeira pessoa, é fácil de imaginar um jogo Alien inserido no legado deixado por Amnesia, é que se formos a ver bem tudo encaixa na perfeição: um monstro que nos persegue, necessidade de andar escondido, isolamento, claustrofobia… está lá tudo.

O principal obstáculo seria mesmo o risco de fazer um jogo desta magnitude, com uma licença tão grande dentro dum género (ainda) tão nicho. Digo ainda porque é um sub-género (a par com os vulgarmente chamados de walking simulators e com os jogos de sobrevivência) que felizmente se estão a tornar cada vez mais mainstream.

Bom, mas adiante. Digo já que Alien Isolation é bom. Muito bom até. É certo que tem as suas falhas e um pouco de dupla personalidade, mas é deveras uma óptima experiência. Quando falo em dupla personalidade, refiro-me à sua incapacidade de se manter focado no que faz bem, que é precisamente o jogo de cão e gato que é o “jogo das escondidas” entre Ripley (não a Ellen, mas a sua filha) e o Alien. É uma autentica dança de sombras e silêncios que nos eleva os batimentos cardíacos para níveis desconfortáveis. Imaginem Amnesia mas com maiores níveis de dificuldade porque mal o Alien nos detecta (e ele tem uma IA admirável) é game over.

Infelizmente Alien Isolation não consegue manter estes níveis de forma constante (como Amnesia faz) ao longo das quase 20 horas de jogo, o que é pena, já que a sua outra faceta mais centrada na exploração, puzzles repetitivos de carregar no botão e recuperar energia e na interacção com humanos e andróides não está, nem de perto, ao mesmo nível. Estes sequências podem ser necessárias para contar uma história (que é genérica) mas o que acaba por fazer, é arrastar o jogo por mais do que precisava.

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Mas no que faz bem, Alien Isolation faz MUITO bem. A sua atmosfera é irrepreensível e extremamente fiel ao filme original. O respeito que tem pelo material de origem é palpável e vai muito mais além de simples fan service como os milhentos jogos baseados na sequela Aliens. E tudo isto é alicerçado por um fantástico design sonoro e um motor gráfico do melhor que já joguei, os gráficos são fenomenais.

É, a meu ver, o primeiro grande “filho” de Amnesia: The Dark Descent. O primeiro blockbuster que teve a humildade de ouvir e aprender as lições deixadas por quem realmente percebe do assunto sem nunca ter a arrogância de olhar de cima para os seus pais, só porque tem mais dinheiro e por isso tiro o chapéu à Creative Assembly. É uma excelente experiência que deve ser jogado não só por fãs do filme, mas também por qualquer apaixonado duma boa experiência de terror.

Positivo:
+ Magnifica atmosfera.
+ Fidelidade ao material de origem.
+ IA da criatura.
+ Gráficos.

Negativo:
– Jogo com duas caras.
– História.
– Longo demais.

Tempo de Jogo: 20 Horas
Completo: Singleplayer.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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