Furious 7 – Velocidade Furiosa 7 [2015]

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Como consumo tudo o que é blockbuster é óbvio que não ia deixar passar mais um glutão de hype, o sétimo capitulo duma das séries mais bizarras do cinema.

Quando falo em bizarro não me refiro, como é óbvio, aos filmes em si que são do mais seguro que pode existir, mas da estranha evolução da série, que é um bom espécime para ser analisado. O que começou como um simples e relativamente modesto filme de acção centrado numa actividade nicho (a subcultura do xunning e streetracing) estranhamente foi sofrendo mutações tais, que a levaram a reerguer-se duma morte anunciada que nem um monstro de Frankenstein, cheia de retalhos e sem personalidade, tornando-se eventualmente no mega sucesso dos dias de hoje.

Há dias estava a pensar neste fenómeno e encontrei outra série que de certa forma espelha o que aconteceu com Velocidade Furiosa. Reparem em Call of Duty. O primeiro jogo era um shooter semi-realista que brilhava nos momentos de espectáculo. Os jogos seguintes melhoraram a fórmula, mas eventualmente a série caiu numa fatiga que obrigou os seus criadores a tentar algo de novo. Aí surgiu o primeiro Modern Warfare que trouxe um novo rumo à série, é certo que a descaracterizou, mas era genuinamente um bom jogo. Contudo, daí para a frente, todos os jogos eram reciclagens menos conseguidas desse sucesso que eventualmente levou a uma nova descaracterização e falta de qualidade.

Exactamente o mesmo rumo pode ser traçado na série Velocidade Furiosa, sendo que Fast Five é o seu Modern Warfare. Um filme de boa acção, um filme genuinamente bom que trouxe ar fresco à série e surpreendeu meio mundo, eu incluído. Mas quatro anos volvidos, Furious 7 pouco mais é que uma auto-paródia da série, que se ri (umas vezes voluntária, outras involuntariamente) de si próprio e do estado a que chegou.

Furious 7 é um videojogo em formato cinema. Como um jogo de acção vive só e apenas das set pieces de acção tresloucada, intercalado por meia dúzia de diálogos básicos e primários sem nenhum do coração e carisma que a série estranhamente tinha. Todo o élan de relativa qualidade que vinha de Fast Five e que não ainda tinha sido destruído pela sua sequela, perdeu-se aqui. Vou mais longe, este sétimo filme pouco melhor é que um qualquer Transformers desta vida. Vá… as set pieces de acção são mais criativas.

Sim, é claro que é divertido duma forma tresloucada, sim é ridiculamente hilariante ver o Kurt Russel de pistolas em mão e óculos de sol, sim fartei-me de rir das cenas de comédia involuntária e de auto-parodia, mas não deixa de ser triste ver o rumo que isto deu. Fast Five foi porreiro porque no fundo era um heist movie cheio de personalidade e carisma, não foi por causa das cenas de acção maiores que a vida.

Mas pronto, todos sabemos ao que vamos numa Velocidade Furiosa, tenham é cuidado com os Saxos e os Clios nos estacionamentos quando saírem do cinema!

PS: Ah! Em relação à questão Paul Walker, acho que acabaram por se safar bem, nunca seria uma tarefa fácil descalçarem esta bota, mas o resultado foi positivo.

 

 

Comments
2 Responses to “Furious 7 – Velocidade Furiosa 7 [2015]”
  1. Boas. Então dirias que o sexto filme é assim-assim? Aguentei e não vi nada até agora (o último filme destes que me lembro de ver foi o Tokyo Drift, e numa sala de aula por alguma razão) mas este último parece ser uma palhaçada de outro mundo. Quantas vezes é que o Vin Diesel fala em família?

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