Mad Max: Fury Road – Estrada da Fúria [2015]

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Depois de tanto esperar e de tanto chorar finalmente fui ver o blockbuster que mais esperava este ano.

Num ano em que tantos já desiludiram, parti com certos receios de que mais um pudesse cair no mesmo poço de mediocridade que é o cinema comercial de acção dos dias de hoje. Admito que muitos desses receios acalmaram depois de ver a forma bombástica como tem vindo a ser recebido, mas mesmo assim, nunca fiando.

Pensava ir ver um filme de acção mas o que me deram foi… nem sei bem como descrever… uma opera rock de acção surreal e etérea onde a poeira, chamas e chapa retorcida dançam por entre jogos de luzes, guitarras flamejantes e muita, muita demência. E que bom que foi!

Tenho que admitir que foi uma tremenda lufada de ar fresco sentir que estava a ver um filme que, de certa forma, se está a “cagar” para as tendências e os focus groups que tanto filme matam e mutilam por esse mundo fora. Foram duas horas duma visão sem compromissos, dum homem que sabia o que queria e teve a liberdade e os tomates para fazer isso mesmo. De certa forma acaba por espelhar um pouco o que o próprio George Miller tinha feito 30 anos antes com o Mad Max original (e as suas sequelas) quando tomou o mundo de assalto com a sua visão australiana e sem “hollywoodismos”. É certo que com cada sequela esse “regionalismo” foi-se misturando com essa inevitável americanização, mas a visão estava lá, inalterada.

E a verdade é que Mad Max: Fury Road é um regresso a essa visão, a esses tempos menos amarrados pelo que é ou não moda ou aceite, acaba por ser uma homenagem a esses filmes despretensiosos das décadas de 70 e especialmente de 80. E é sem o fazer de forma forçada, não sendo, de longe, um foco na sua identidade, como por exemplo Machete, Super 8 ou Guardians of the Galaxy eram. Mad Max: Fury Road não passa o tempo a gritar “olhem só o quão anos 80 eu sou, que fixe!”. Mad Max é Mad Max.

Bom, mas e o filme em si, que é o que realmente interessa? Mad Max: Fury Road é uma intensa e frenética aula de como fazer boa acção. Com boa acção falo de sequências activas e não reactivas. Com isto quero dizer que a acção de Mad Max faz avançar a história e os seus protagonistas, não se limitando a ser uma composição de momentos reactivos onde as sequências são originadas à medida em que a acção se desenrola como num Avengers: Age of Ultron ou especialmente um Furious 7.

Num filme tão carregado de acção, há espaço para história? Pouca, mas o mais admirável de Mad Max é o lore presente, ou seja, sentimos que caímos num mundo com historias já estabelecidas e que tropeçamos num mundo que existe para além de nós e dos protagonistas, o que não é fácil.

De resto, tenho de tirar o chapéu aos actores que mentalizaram, e bem, esta ideia dum mundo e de pessoas com histórias próprias, em especial a Charlize Theron que rouba o protagonismo a um Tom Hardy que cumpre, mas ainda não tem o carisma contagiante do Mel Gibson. Contudo, por um lado, o papel do Max acaba por ser mesmo esse, tal como o espectador, ele é um turista no meio da loucura e não tem problemas em se sentar ao nosso lado e dar o protagonismo à armada feminina que realmente são as heroínas de Fury Road. Calculo que seja um filme do agrado dos guerreiros da justiça e igualdade social.😀

Já vai longo, teria mais para falar mas estou com pouco tempo, de tal forma que acabo de escrever isto aqui no trabalho… O importante a reter é que Mad Max: Fury Road é o melhor filme de acção desde… hum… sei lá… pah há muito tempo.

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