Diário Pixelizado: Europa Universalis IV – Semana 2

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Semana 2

 Δεσποτᾶτον τοῦ Μορέως (Despotado da Moreia)

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Aleko Collias – conselheiro do rei

Às vezes torna-se complicado governar um reino, nem tanto pelas pressões de potências externas ou problemas financeiros. É mais ingrato quando os nosso súbditos pactuam contra o seu próprio reino. Hoje, uma série de nobres que julgava leais à nossa causa, traíram o seu próprio rei, sobre influência do Doge de Veneza. Vejo no olhar de alguns deles um genuíno arrependimento enquanto caminham para o cadafalso, mas traição não pode passar incólume.

O machado desce sobre os seus pescoços ao meu sinal. O meu olhar é frio, mas o meu coração é uma bomba de dúvidas e questões, às quais anseio por uma resposta.

Veneza alinha-se publicamente contra o reino da Moreia, o que vem complicar a nossa posição, já de si frágil. O Doge quer reconquistar os estados latinos da Grécia, mas se depender de nós tal nunca acontecerá. Aquece-me o coração ao ouvir os relatos das revoltas gregas em Corfu contra o jugo veneziano. É este espírito nacionalista grego que nos dará a vitória a longo prazo.

2015-03-01_00007       2015-03-01_00008À esquerda: Veneza tenta infiltrar-se. À direita: Revoltas nacionalistas em Corfu.

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– Porque tocam os sinos? – questionou a jovem Alethea
– Não sabes?! O menino tornou-se rei! Fez hoje 14 anos! – o irmão mais velho de Alethea não conseguia esconder o seu entusiasmo.
– Ah… mas e então? Para que é esta confusão toda?
– Alethea… és demasiado nova para entender estas coisas. Se tivesses vivido durante o reinado do outro rei, o seu pai, também estarias empolgada com o futuro!
– Ele era assim tão mau? Achas que este vai ser melhor?
– Claro irmãzinha! Todos nas ruas de Atenas dizem que ele é um menino prodígio! Até os reis de Aragão e da Hungria vieram ver a sua coroação! Não achas que eles só se dariam a esse trabalho se ele não viesse a ser um bom rei?
– Acho que sim Aegeus… espero que sim! Espero que nos salve dos infiéis.
– Salvará irmãzinha, se Deus e o novo rei Theodoros assim quiserem, nunca terás de ver um soldado turco na nossa cidade. – Aegeus beijou a sua irmã e correu para junto da massa popular que se reunia junto ao palácio real.

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Theodoros III sobe ao trono com apenas 14 anos.

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Theodoros III – Rei da Moreia

Hoje tive uma nova reunião com o meu tio Aleko… aliás, tio não… ainda tenho dificuldade em não o chamar de tio. Ele nem sequer é realmente meu tio, mas cresci sempre a chama-lo assim que se torna difícil de rejeitar velhos hábitos. Bom, fui hoje agraciado pela visita do meu conselheiro Aleko Collias que mais uma vez me colocou a par de assuntos pertinentes ao reino. Já lá vão dois anos desde que tomei oficialmente posse do reino, mas ainda tenho dificuldades em me mover neste pântano que é a politica.

Mas é isto que todos esperam de mim. Que ouça e tome decisões justas. não creio que haja ninguém que compreenda de facto o quão difícil isso é. Tenho 16 anos, mas sinto que todos me vêm como um pai que tudo sabe e tudo faz.

O meu ti… Aleko trouxe-me novas da Europa. Carlos I da Borgonha morreu. Morreu de forma gloriosa, no campo de batalha a liderar as suas tropas. A sua morte poderá ter sido heróica mas a verdade é que levou para o túmulo o seu próprio reino. A Borgonha foi anexada pela Ístria que se tornou, dum dia para o outro, uma importante potência do centro da Europa. Talvez possam ser um aliado contra os otomanos…?

Assuntos para pensar mais tarde, Aleko trouxe-me um outro problema. Nas masmorras de Atenas está encarcerado um agente da Acaia que tentava criar uma pretensão às nossas terras no Peloponeso. O que fazer com ele? Aleko questiona-me a que hora do dia deverá ser marcada a execução.

– Ao pôr-do-sol – respondi. O meu coração apertou enquanto pensava em Carlos I a cair no campo de batalha.

2015-03-01_00011       2015-03-01_00012À esquerda: Borgonha desaparece do mapa juntamente com Carlos I. À direita: Espiões da Acaia.

1483

Aleko Collias – conselheiro do rei

Hoje recebi a visita de sua alteza, todos os dias encho-me de orgulho de como o pequeno Theodoros cresceu para se tornar num verdadeiro líder, um rei que muito honestamente não esperava que o viesse a ser. Ele é um Palaiologo apenas em nome, ele é o completo oposto do seu miserável pai. E não falo apenas em termos de capacidades governativas, Theodoros nem sequer em questões ideológicas se assemelha a um Palaiologo, ele é um grego de coração e não tem quaisquer ligações com Bizâncio.

E hoje surpreendeu-me de novo. Theodoros teve uma conversa séria sobre a nova politica externa e de como o nosso plano de construir uma frota que nos permitisse estender os braços pelo mediterrâneo é errada. Pode parecer estranho, mas concordei com sua alteza. Este plano, que foi criado e impulsionado por mim, estava completamente desfasado da presente realidade porque, vamos ser sinceros, a marinha Otomana é tão grande que levaria séculos a atingirmos o mesmo nível. Para além disso, com o abate do excesso de navios e a diminuição dos custos de manutenção, o reino terá um aumento de 0.60 ducados mensais, ou seja 7 ducados por ano! Serão tremendas notícias para o sovina do Melantho Nicolaidis.

O rapaz… o meu rei abriu-me os olhos e fez-me ver a realidade e isso é um enorme feito num jovem de 19 anos. As minhas barbas brancas são, admito, algo intimidatórias, mas Theodoros é como se fosse meu filho… e… bom, fico extremamente aliviado de o nosso reino ter um futuro estável em vista.

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A reduzida marinha da Moreia em acção.

1485

O salão imperial era frio e convidativo por si só, ainda mais naquela tarde chuvosa de Fevereiro, contudo, o semblante de todos os presentes tornava o ambiente ainda mais soturno e pesado.

– Entre meu caro Alexei, por favor – o rei Theodoros III tentava ao máximo aligeirar o pesado clima.
– Alteza, meus senhores – Alexei Papadopoulus, o agente mais prestigiado da Moreia, curvou-se numa vénia sentida ao rei e aos restantes elementos, Aleko Collias, Alexis Petros e Tassos Nicolas.
– Descreva-nos então o que conseguiu saber da corte em Constantinopla – questionou Aleko Collias.
– Pois bem, alteza e meus senhores, as noticias não são boas. Como sabe, após a morte de Mehmet II, o seu filho Bayezid II tomou posse como novo sultão…
– Sim, sim já nos foi informado, passe ao que importa – cortou Tassos Nicolas impacientemente.
– Perdão, claro. Como estava a dizer – Alexei notou todos os olhos da sala postos em si – na primeira reunião de estado de Bayezid II, foi declarado que a prioridade na expansão turca é… – todos os presentes no salão já sabiam a resposta – Grécia.

Um longo silêncio invadiu a sala, todos olhavam em frente perdidos nos seus pensamentos. O almirante Tassos Nicolas quebrou o silêncio.

– Muito bem, era a confirmação que precisávamos… e agora, nós não resistiremos a um ataque turco! Basta eles…
– Sempre soubemos que seria esse o objectivo deles, não é nenhuma surpresa e seria apenas uma questão de tempo – interrompeu o rei numa postura autoritária impressionante para um homem de 21 anos rodeado por velhas raposas – seguiremos o nosso rumo, tentaremos restabelecer relações diplomáticas com o novo sultão, reforçaremos o nosso bravo exército e a nossa economia – olhou para Aleko que o olhava com orgulho – porque só com uma forte economia poderemos fazer frente à ameaça turca.
– Mas alteza! – ripostou o impetuoso almirante na marinha grega – como pod…
– Está encerrada a reunião de hoje – fechou o rei de forma autoritária.

Theodoros III levantou-se e caminhou lenta mas autoritáriamente porta fora, deixando para trás um misto de semblantes pesados e preocupados. Só Aleko se mantinha esperançoso, a sua devoção pelo seu protegido era inabalável.

2015-03-04_00002   Portrait_of_Sultan_Bayezid_II_of_the_Ottoman_EmpireÀ esquerda: O objectivo principal turco é a Grécia. À direita: O novo sultão Bayezid II toma posse.

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Melantho Nicolaidis – Senhor da moeda

Tenho poucas dúvidas que o nosso rei foi a melhor coisa que aconteceu ao reino desde… bom, desde sempre. Nunca vi as finanças em tão bom estado como nos dias de hoje. Ontem o nosso bom Rei inaugurou um posto financeiro em Mistras que elevará a produção em cerca de 20% na região. Os investimentos têm sido significativos, mas a recompensa a longo prazo é considerável, e acaba por ser mesmo essa a grande virtude governativa do nosso jovem rei. Ele age pensando a longo prazo e tem consciência que uma economia forte é o primeiro passo para crescer.

Infelizmente todo este exercício e todas estas reformas custam um pouco a passar para a cabeça da plebe, que prefere amedrontar-se com as noticias dos avanços turcos no médio oriente.

2015-03-04_00005       2015-03-04_00006À esquerda: Construção dum posto financeiro ajudará ao crescimento económico. À direita: O avanço Otomano no médio oriente.

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Manolos Aposthos – Soldado no exército real

20 de Janeiro de 1492 – Hoje está frio. Muito frio. Estas noites têm sido, muito honestamente um inferno. Ficar aqui de vigia durante horas e horas não é, nem de perto, a ideia que tinha quando me alistei no exército. Todos os sonhos de infância, todas as batalhas que no meu imaginário travei, imaginando-me ser um Aquiles ou um Leonidas estão muito longe da realidade. Na verdade, o meu maior divertimento desde que me alistei no grande exercito Alexandrino (na verdade pouco mais somos que uma milícia) tem sido escrever aqui no meu diário, de tal forma que o resto dos homens já troçam comigo, dizendo que quando chegar a altura, defender-me-ei das lanças turcas com livros.

Esta semana as vigias têm sido mais frequentes por causa do pequeno destacamento do exército turco que montou tendas na fronteira. Estão tão perto que vejo os clarões das suas fogueiras lá do outro lado da colina.

Já desde miúdo que ouço falar duma inevitável e iminente guerra contra os infiéis mas muito sinceramente nem sei se alguma vez acontecerá, especialmente agora que, segundo ouvi ontem dizer, eles andam atarefados com guerras e com o crescimento da Estíria lá mais para o norte. Por aqui estão todos a torcer que a Ístria se torne grande e que venham a amedrontar os turcos, mas muito sinceramente não vejo como isso nos poderia ajudar.

Bem, não tenho mais que escrever por hoje.

2015-03-04_00007       2015-03-04_00008À esquerda: O exército Alexandrino vigiando o destacamente turco na fronteira. À direita: A Ístria avança nos Balcãs.

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Alexis Petros – Responsavel diplomático do Rei

Nova reunião de estado, seria mais uma não fosse a ausência de Aleko Collias que, segundo sei, está gravemente doente. Nunca fui muito com a cara dele, mas é inquestionável o papel preponderante que teve no reino, em especial durante o reinado do anterior rei e na tutela de Theodoros III.

De minha parte os pontos centrais da reunião de hoje prenderam-se no novo ultimato turco que, muito sinceramente não surpreendeu ninguém. O novo sultão turco apresenta uma postura muito agressiva perante nós, o que é deveras preocupante.

O que acabou por surpreender o rei foram as novidades de que Veneza e a Ístria estão em guerra. Acho que poucos esperavam, temos de ver o que podemos vir a ganhar indirectamente, mas sem duvidas que o grande beneficiado deste conflito são os turcos, que vêm duas importantes forças regionais a sangrar às suas portas.

2015-03-04_00011       2015-03-04_00012À esquerda: Ístria e Veneza em guerra. À direita: Novo ultimato turco.

1499

Theodoros III – Rei da Moreia

Faz hoje 5 anos que o meu tio morreu. Aleko Collias foi o pilar da Moreia durante as ultimas décadas e é um peso enorme liderar o reino sozinho. Pensava que o passar do tempo iria atenuar este sentimento de… perda e solidão, mas…

Bom, adiante. Tenho diante de mim um mapa do mediterrâneo oriental, soube hoje da revolta em Chipre que expulsou as influências Venezianas e católicas da ilha e abraçou de coração aberto o seu helenismo ortodoxo. Hoje penso… penso no plano original de Aleko e na ideia de trazer o Chipre para a nossa esfera de influência, diplomática ou militarmente, de criar a base externa que o meu tio sempre quis.

– Majestade! – o camareiro do rei vinha acompanhado de Alexis Petros, responsável diplomático.

– Calma Kostas, que se passa? Alexis, também aqui?

– Os Turcos… os turcos… – Kostas Fyssas estava quase sem fôlego. O rei acreditou no pior.

– Os Turcos entraram na Acaia… estão em guerra! – Alexis completou o pensamento de Kostas.

– Então começou… o inicio da conquista grega que todos temíamos… Obrigado aos dois, por favor permitam que fique sozinho.

Enquanto ambos abandonavam o meu quarto, voltei a olhar para o mapa, para o Chipre, para a Grécia, para Atenas e o Peloponeso. Para Acaia tentando fazer contas de quanto tempo os nossos vizinhos aguentariam.

Sobreviveram uma semana.

2015-03-04_00015 2015-03-04_00016À esquerda: O Chipre libertou-se do espartilho Veneziano. À direita: O Império Otomano declara guerra à Acaia..
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1502

18 de março

Alexis Petros – Responsavel diplomático do Rei

Os gritos lá fora são audíveis, demais até. Nem o controle por parte do exercito ajuda a acalmar a plebe que protesta. Protesta por causa das inúmeras reformas que o rei Theodoro III vem implementando há duas décadas. Gritam eles que essas politicas trazem fome para o povo, mas a principal razão por estes tumultos não é essa.

Na verdade, e o rei sabe isso, as pessoas não protestam por reformas ou algo que se pareça. Elas têm medo, estão apavoradas e em pânico. Há já alguns dias que um enorme exercito turco 20.000 homens está estacionado nas nossas fronteiras. Muita gente foge para Creta, Chipre, ilhas do Egeu e até mesmo para território Otomano! De certa forma não as posso condenar porque um ataque é iminente e temo que o nosso destino seja o mesmo da Acaia.

2015-03-04_00019 2015-03-04_00020À esquerda: As reformas não agradam ao povo, que protesta. À direita: Os turcos estacionam o seu exército junto à fronteira.

1502

18 de outubro

Declaração de Guerra de Bayezid II, Sultão otomano

Esta manhã, uma nota foi enviada por mim, Bayezid II, Califa do Islão, Amir al-Mu’minin e Sultão do Império otomano, a Theodoros II Rei Grego da Moreia e descendente de Bizâncio e do Império Romano, requerendo a anexação das possessões de Mistras e Atenas, territórios pertencentes por direito ao Estado Eterno do Império Otomano guiado por Deus todo-poderoso desde a queda de Constantinopla em 1465.

O não cumprimento do referido pedido até ao próximo nascer do sol, será visto como declaração de guerra do Reino da Moreia ao Estado Eterno do Império Otomano guiado por Deus todo-poderoso.

Bayezid II, Califa do Islão, Amir al-Mu’minin e Sultão do Império otomano

2015-03-04_00021

O Império otomano declara guerra ao Reino da Moreia.

 

1502

20 de outubro

Oğuz Terim – Soldado do exército Otomano

Sinto-me estranho… um sentimento agridoce invade-me a alma. Dou graças a Deus por estar vivo após mais uma batalha, mas ao mesmo tempo abatido pelo massacre que vivi hoje. Vencemos a batalha de Atenas, contudo nunca houve quaisquer hipóteses do resultado ser outro.

O exercito grego era tão reduzido que nem sei se deverei chamar batalha ao que participei. Nem um grego sobreviveu, nenhum se rendeu e preferiram morrer a combater, tiro-lhes o chapéu pela enorme honra e valentia que demonstraram em campo. Diante de mim vejo 4000 gregos caídos. Dos nosso 20.000 homens apenas duas centenas pereceram. Todos temíamos que a batalha de Termópilas pudesse vir-se a repetir, mas felizmente os gregos pouca ou nenhuma mossa nos fizeram.

O nosso general indicou-nos que marcharemos para Atenas amanhã ao nascer do sol. Espero sinceramente que a cidade se renda, a ter de assistir a novo massacre como o de hoje.

2015-03-04_00023ottoman.sipahibattle.500À esquerda: A batalha de Atenas resultou num massacre. À direita: A cavalaria otomana carrega sobre os gregos.

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Guerra Greco-Turca de 1502: encyclopedia britannica p. 146

Após o massacre da batalha de Atenas, onde o exército grego da Moreia saiu dizimado, os Otomanos liderados pelo Bayezid II montaram um cerco às cidades de Mistras e Atenas. Depois do que se tinha visto durante o cerco e queda de Constantinopla, 40 anos antes, poucas dúvidas haviam em relação ao destino de ambas cidades e do próprio reino. Contudo, sob a forte liderança de Theodoros III, os gregos conseguiram aguentar mais do que inicialmente esperado.

Após quase 1 ano de cerco, o plano grego seria resgatar o rei Theodoros III para porto seguro, numa das ilhas do mediterrâneo e tentar cativar a classe regente local a aderir às ideias pan helénicas do rei. Para tal, foi organizada uma expedição do que restava da frágil marinha da Moreia para quebrar o cerco marítimo Otomano e resgatar Theodoros III de Atenas. O hipotético e provável destino seria o Chipre, tendo em conta documentos descobertos anos mais tarde no palácio real.

O plano foi um desastre e afundou, juntamente com toda a frota Themistocliana na batalha do mar Egeu, onde a frota Otomana liderada por Mustafa Hersekli dizimou o que restava dos gregos.

Depois deste desastre, Theodoros III, que estava dentro de Atenas a resistir ao cerco, ficou sem quaisquer opções que não fosse a rendição.

2015-03-04_00024       2015-03-04_00025À esquerda: Os cercos turcos a Mistras e Atenas. À direita: Desfecho da batalha do Egeu.

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26 de novembro

O frio intenso de Novembro marcava presença por entre os gritos e o tilintar de milhares de espadas, lanças e escudos dos homens que se juntavam nas estreitas ruas de Atenas. A milenar capital grega tinha caído. Os portões abriram-se depois de 12 extenuantes meses onde Theodoro III valentemente manteve-se em pé contra a pressão turca.

Valente pode ser este rei que, de mal amado, se tornou adorado pelos seus súbditos, mas só isso não era suficiente. Todos têm de cair um dia e hoje seria o dia de Theodoros. Todos os pedidos de rendição foram ignorados pelo bravo rei que, por entre o frio cortante, montou um ultimo bastião no topo da acrópole, junto ao Pártenon, rodeado dos seus mais fieis seguidores.

A resistência foi dura e acesa, mas como uma chama forte que arde ao vento, estava destinada a apagar-se. Theodoros III lutou ferozmente contra a vanguarda Otomana, mas uma lança turca trespassou fatalmente o seu ombro. Em uníssono, todos os intervenientes do sangrento ataque calaram-se e um silêncio invadiu o campo de batalha. O rei morreu, a Moreia morreu, a Grécia morreu. Theodoros caiu de joelhos com um sorriso, espada numa mão, estandarte com a bandeira grega a esvoaçar orgulhosamente na outra. A imagem de Carlos I da Borgonha na sua cabeça.

Uns segundos depois tombou. O reino acompanhou-o.

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Atenas cai.

 

1503

8 de dezembro

Guerra Greco-Turca de 1502: encyclopedia britannica p. 147

Doze dias depois da queda de Atenas, e ao saberem da morte de Theodoros III, Mistras rende-se pacificamente ao cerco Otomano e assim termina a guerra Greco-Turca de 1502-03. Moreia é anexada após treze meses de conflito e termina o sonho helénico iniciado por Aleko Collias 50 anos antes.

A consciencialização do inevitável tomou conta de todos os gregos e os Otomanos finalmente conquistam toda a Grécia continental. O corpo de Theodoros III é levado para a igreja de Panagia Kapnikarea em Atenas, onde recebe um funeral digno, presenciado pelo próprio Sultão Bayezid II que sentiu um forte respeito pela bravura do rei grego. Contudo, a sua presença foi mais simbólica, visto representar, para ele, o fim definitivo dos vestígios Bizantinos. O império Bizantino, vestígio do Império Romano tinha sido finalmente conquistado pelo mais poderoso império da actualidade.

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Mistras também cai, dando assim fim à guerra e ao Reino da Moreia.

Semana 1Semana 2

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E assim termina este diário pixelizado dedicado ao Europa Universalis IV. Um diário bem curto mas que me deu muito prazer jogar e, principalmente escrever. Tomei más decisões, mas a piada é mesmo essa, aceitar as más decisões e tentar adaptar-me, mas a verdade é que este seria um destino provável.

Bom, a ideia é eventualmente fazer um novo diário deste estilo, mas do Crusader Kings II. Vai ser uma carga de trabalhos por isso é melhor esperar sentados😀 Fiquem bem!

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