The Visit – A Visita [2015] e o Motelx 2015

Ontem foi dia de abertura de mais uma edição do Motelx, a 9ª já! Sou um assiduo frequentador do festival há meia dúzia de edições.

Este ano há algumas novidades relativamente interessantes, mas devo dizer que como um todo, sendo eu um fã incondicional de cinema clássico, o cartaz parece-me um pouco abaixo das expectativas. Mas à falta de cinema clássico, teremos alguns lançamentos recentes e independentes genuinamente interessantes dos quais tentarei falar de alguns nos próximos dias.

A cerimónia de abertura iniciou-se com a clássica cena do telefone de Scream, como homenagem a Wes Craven que faleceu na semana passada. Foi uma sentida homenagem e, mesmo sendo uma cena que estamos fartos de ver, recordou a forma como ele controlava de forma tão segura a tensão e suspense duma clássica cena de stalking. Ele era mestre nisso.

Após alguns discursos e patrocínios da praxe passou-se ao visionamento da curta que dá imagem à 9ª edição do Motelx. Arcana são apenas 10 minutos ou algo do género, mas são 10 minutos de enorme qualidade que aconselho e apelo que tentem ver. Tiro o meu chapéu.

The-Visit-2015-09-11

Bom, mas estou aqui para falar da sessão de abertura, um filme do qual pouco ou nada esperava, isto porque é mais um de M. Night Shyamalan, um realizador que muito casquei e critiquei mesmo tendo-lhe dado todas as oportunidades deste mundo. Sim sou daqueles que é fã de The Village e que quando viu Lady in the Water ainda deu o beneficio da dúvida. Infelizmente continuou a desiludir-me e desisti dele.

Mas pronto, aqui estou no seu mais recente filme, este The Visit que nunca ouvi falar para além dum trailer que vi no inicio do ultimo Mission: Impossible. O trailer marcou-me tanto que quando ontem me disseram que já o tinha visto nem me lembrava qual era…

Muito maltratei Shyamalan quando ele mereceu, porque de certa forma me sentia enganado… bolas, os seus primeiros filmes eram bons! Mas muito honestamente hoje sou obrigado a dar-lhe uma palmadinha nas costas porque The Visit é genuinamente… bom. Sim, digo-vos que gostei e que é bom. O choque! A tragédia! Mas não podes gostar! A internet diz-me que ele já não pode fazer bons filmes!

Larguem o rebanho e vejam as coisas sem preconceitos, sem ideias pré-concebidas, sem a atrelagem do passado. Deixem-se levar e penso que chegarão à mesma conclusão. The Visit cai em muitos dos erros típicos de Shyamalan, mas estão lá alguns dos seus rasgos de inicio de carreira, especialmente na forma como controla a tensão e como gosta de brincar com o “treino” que o espectador tem sobre um filme de terror. Quando vos falei em erros típicos falo-vos das setpieces de susto mecânicas que ele parece não conseguir se afastar, quase parece às vezes uma feira de diversões onde o espectador é levado de barraquinha em barraquinha, cada um com um susto. E sim, há twist, e sim Shyamalan volta a não conseguir dar um seguimento à altura da revelação desse twist. Com efeito, o desfecho é a parte menos conseguida do filme, na minha opinião.

Aviso-vos que The Visit é um mockumentary, e nem sequer entrarei no realismo da camera (que quem me conhece sabe que ligo… demasiado a essas coisas) porque, sejamos honestos, o filme dificilmente funcionaria de outra forma. Sim a camera está sempre ligada e sempre apontada ao que interessa, sempre de forma forçada, mas… às vezes é melhor esquecer isso. O que o mockumentary ajuda ao filme, é ao trazer uma certa informalidade e uma aura de… quase brincadeira que o rodeia. The Visit é terror, mas é acima de tudo uma comédia de terror, e boa comédia! É certo que esse lado mais leve é ajudado por um par de miúdos de extrema qualidade, em especial o rapazito que serve de comic relief. Ele basicamente funciona como a consciência do espectador e está lá para dizer o que nós pensamos, às vezes quase quebrando a 4ª parede, como se fosse Shyamalan a auto parodiar-se e a por a nú os clichés do género.

The Visit é um bom divertimento, um bom regresso de Shyamalan e de certa forma um novo lado dum realizador que (espero) tenha aprendido a abandonar aquele casulo cinzento de seriedade e formalidade que tinha caído a cada desaire que saia das suas mãos. Espero com ansiedade q.b. o que se seguirá daqui.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: