SPECTRE [2015]

spectre

As luzes apagam-se, começa o tema 007 enquanto Bond caminha sob o olhar do cano da arma. A emoção dum novo 007! O hype sobe, let’s do this!

A cena inicial no México começa de forma maravilhosamente prometedora com um plano sequência de longos minutos, que rezo que dê o mote para o resto do filme, no entanto ela termina com uma cena de acção confusa, sem criatividade e que me faz torcer o nariz. Que rumo vai tomar SPECTRE?

Dispara a musica desinspirada de Sam Smith, ela é acompanhada por um excelente genérico inicial onde o tema central do filme, o passado, é revelado. Neste ponto volto a questionar-me se SPECTRE irá ser sem chama como a sua canção, ou poderoso como o seu genérico. Decidi esquecer isso e deixar-me levar, seja o que os deuses do cinema quiserem.

2 horas depois saí da sala, carrancudo, triste e desiludido. Perguntam-me “e então, que achaste?”. Torci o nariz, meh, acho que as minhas palavras foram algo tipo “epah… falta-lhe garra, alma e paixão… é demasiado forçado. Não gostei lá muito”. Cheguei a casa com uma vontade voraz de escrever sobre o filme, de cascar nos aspectos negativos como se tivesse sido enganado, mas decidi dormir e deixar esquentar esse sentimento pós sala de cinema.

Acordei à pouco e 10 horas depois a minha opinião mantém-se a mesma. SPECTRE é medíocre, um 007 que se vai perder no tempo mas acima de tudo um tremendo desperdício de potencial. A forma como tenta introduzir a sua temática do passado, como tenta encaixar o Blofeld e os acontecimentos de Casino Royale e Skyfall é tão forçada, e é tudo tão… sem… paixão, que honestamente lá mais para o final já não conseguia ver mais nada que desinteresse na cara de Daniel Craig, Chistopher Waltz e companhia. Por falar no Chistopher Waltz, que raio de Blofeld foi este? Nunca fui fã do Blofeld, sempre o achei cómico na forma como falha sempre de forma tão ridícula, mas aqui havia oportunidade para o redimir.

E as cenas de acção? Que se passou? Vou excluir a cena do comboio porque foi genuinamente boa (mesmo que uma cópia da de From Russia With Love e The Spy Who Loved Me) o resto são cenas desinspiradas, sem um gancho que cative o espectador nem um fio condutor. São cenas colocadas lá no meio porque o pessoal se queixou que Skyfall tinha poucas cenas de acção.

Vá, estou aqui a cascar no filme mas é claro que tem aspectos positivos. A fotografia de Hoyte Van Hoytema é estonteante, SPECTRE é lindíssimo visualmente, Léa Seydoux é uma boa Bond Girl se bem que volte a ser mais uma damsel in distress e Sam Mendes volta a trazer uma maior sensibilidade visual a uma série que muitas vezes caía num tom ligeiramente genérico. Mas não lhe posso perdoar a forma como controlou o ritmo do filme. SPECTRE não flui como Skyfall, ele parece dividido em várias… partes que não se interligam. Acho que a história e o tom menos sério com com inspirações da formula clássica Bond, não se enquadra no tom que Sam quer dar nos seus filmes.

Num filme onde o passado (tormentoso) é tão central a todos, é incrível como ninguém parece emocionalmente afectado por ele, e isso acaba por se reflectir no filme em si. Quando no final, Bond parte ao volante do seu DB5, tentando criar uma ligação emocional com o fã, torci o nariz e pensei “se vocês se estão a cagar para o passado, porque deverei eu sentir alguma coisa com esse isco barato?”.

Meh… vou chorar um bocadinho enquanto revejo Casino Royale, Quantum of Solace e Skyfall.

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