The Revenant – O Renascido [2015]

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Na semana passada lá arranjei um espacinho para ir ao cinema, desta vez para ver o filme com mais nomeações para os Oscares deste ano, falo é claro de The Revenant.

Se é merecedor de 12 nomeações não sei e honestamente não me parece relevante, The Revenant é um portento técnico que só o mero facto de ter sido feito nos dias de hoje é razão suficiente para celebração. Este parece um filme doutros tempos, a sua ambição, brilhantismo técnico (aparentemente a sua maior parte foi rodada sobre luz natural, especifica dum período diário), a ausência de barreiras e limites e a segurança que tem no seu ritmo pausado mais parece saído do cinema dum Tarkovsky (curioso que dias mais tarde surgiram por ai uns vídeos que mostram bem as suas influências) ou Malick  (normal, o director de fotografia, Emmanuel Lubezki é seu colaborador habitual) do que dum épico moderno. Como disse, acho que o mero facto de ter sido feito nos dias de hoje já é motivo de rejubilo.

De qualquer das formas, nem só de técnica vive um filme. Iñarritu é reconhecido como um realizador que gosta de puxar pelos seus actores, não é de estranhar que os seus filmes quase sempre produzam prémios para melhores interpretações e aqui é excepção. Di Caprio deverá ganhar finalmente o tão esperado Oscar e é inegável que o merece, mais não seja pela tremenda dedicação que aplicou na personagem de Hugh Glass (figura real, se bem que apresentada aqui com ENORME liberdade criativa). Di Caprio entrega-se de corpo e alma, no entanto a realidade é que, pessoalmente, penso que acaba por ser ofuscado por Tom Hardy que tem aqui uma tremenda prestação. Nunca vi o Tom Hardy no filme, nem nunca vi traços doutras personagens suas no filme, foi uma transformação completa e digna de todos os louvores. Por melhor que Di Caprio tenha estado (e esteve) nunca consegui ver o Hugh Glass mas sim o actor.

Mas o que realmente brilha em The Revenant é a tremenda fotografia de Emmanuel Lubezki que eleva o filme para algo mais que um simples filme de vingança. Pode-se pensar que basta uma bonita paisagem para ter um bonito filme, mas uma boa fotografia transforma por completo uma cena mundana numa imagem poética e memorável, que é o que acontece aqui.

Será o grande vencedor dos Oscares? Honestamente não sei, nem sei se será o meu favorito, mas fico honestamente satisfeito por existir e por o ter visto no cinema.

Originalmente de 2015, estreou em Portugal em 2016.

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