Solyaris – Solaris [1972]

 

Maratona Tarkovski

Quatro anos após o meu primeiro visionamento, regressei a Solaris. Na altura decorria a primeira edição da maratona Sci-fi e como podem ler abaixo, gostei. O sentimento mantêm-se?

Sim, completamente. Ainda mais agora, vendo-o em sequência a Andrei Rublev, filmes tão diferentes entre si, de géneros completamente opostos, mas curiosamente mais próximos do que se poderia pensar inicialmente. Na sua base há temáticas que se tocam, em especial na condição humana e numa visão um pouco pessimista do mundo, quer seja no medievalismo de Andrei Rublev ou no futuro espacial de Solaris.

Acho que toquei nos pontos mais importantes no meu texto original, a excepção talvez se prenda mais na fase inicial, que agora me custou muito menos a passar, é possível que seja fruto da overdose de Tarkovski que ando a levar.

Já que estão aqui, não percam também o A Arte de Solaris, que publiquei na altura. Belíssima fotografia.

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Texto original em Maratona Sci-fi 2012

Mais um filme visto na minha maratona Sci-fi. Tal como prometido o 10º filme da lista é o clássico soviético Solaris.

Este é o filme mais longo da maratona e sendo do Tarkovski previsivelmente também o mais lento e pausado. É necessário um estado de espírito especial para enfrentar os seus filmes, são sempre muito carregados de filosofia, e a sua realização centrada em longos planos que podem durar minutos e um ritmo sempre muito controlado. No Stalker, em termos pessoais, acho que funcionou, mais não seja porque gostei muito do filme, aqui em grande parte também, no entanto, a meu ver nem sempre.

Solaris é lento, mas tem de ser. Os longos minutos, a ausência de musica e os demorados diálogos são essenciais para criar o ambiente hipnotizador, doutra forma o filme nunca resultaria. No entanto há algumas cenas que não precisavam de se arrastar tanto, especialmente na primeira parte, ainda na Terra. Só quando o Kelvin chega a Solaris é que o filme fica realmente muito interessante. Tornou-se quase obrigatório ao longo das décadas fazer a ligação com o 2001: Odisseia no Espaço já que Solaris é constantemente rotulado como a resposta soviética ao filme do Kubrick. No entanto são filmes completamente dispares e toda essa comparação pouco mais era que reflexos da guerra fria.

A representação do espaço e do papel da humanidade na conquista espacial é completamente oposta. Em 2001 é tudo muito limpo, frio e austero e todo o filme é uma ode à evolução humana, Solaris é sujo, decadente, humano, quente e o papel da humanidade na conquista espacial é basicamente um fardo. Basta ver que em 2001 os sinais de loucura advém da IA enquanto que em Solaris do próprio Homem.

O que mais gosto no filme, para além da fotografia (quase todos os planos davam lindíssimos quadros, aliás como é habitual no Tarkovski) é o ambiente e atmosfera. É difícil de descrever, parece um sonho etéreo, hipnotizador, quente (a sério a base em Solaris transmite-me muito calor, deve ser das tonalidades ou da constante transpiração do Kelvin…) e meio surreal.

Há algumas partes que chegam a ser perturbadoras, especialmente durante as noites quando a Hari aparece inicialmente ou então quando ela ressuscita. Depois, claro, as próprias temáticas incomodam, especialmente na ideia do que é real, ou melhor se as representações materiais que a entidade criava poderiam humanizar-se. A Hari aos poucos parecia começar a aprender mais do que a entidade lhe tinha “dado”, não seria possível, passado mais tempo, ela ganhar tais traços que se tornasse, por alguma razão, humana? Será moralmente correcto vê-la apenas como uma criação artificial? Ainda para mais quando a certa altura ela apresentava mais traços humanos que os três residentes da estação espacial.

Solaris é um óptimo filme que faz pensar, e é isso que a boa ficção cientifica deve fazer. Pessoalmente acho que o filme poderia ter um ritmo um pouquinho mais rápido e se calhar algumas sequências poderiam ser encurtadas, mas é o Tarkovski… essas coisas não se pedem lol.

Já agora, já alguém viu o remake do Soderberg? É jeitoso?

Portanto, tenho 6 filmes para ver em 14 dias, vou fazer mais uma pausa de alguns dias, mas voltarei para fechar a década de 70 com Mad Max! Até lá!

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