Grand Theft Auto V [2013]

gta5

Regresso depois de uma longa, longa ausência, e faço-o para falar sobre… jogos! Quem diria que num blog de jogos eles se tornassem numa raridade.

Isso não significa que não jogue hoje em dia, ainda o faço, mas espalho o meu pouco tempo livre numa série de jogos, o que leva a que demore muito mais a acabá-los. Um dos últimos foi Grand Theft Auto V, o jogo que demorou quase 3 anos a chegar ao PC. Sim, fui dos que aguentou esse tempo todo e esperou pela sua chegada à plataforma que viu a série nascer. Na verdade já o acabei há algum tempo (o singleplayer, claro) mas demorei todo este tempo a finalmente escrever qualquer coisa porque ainda queria explorar a sério o multiplayer, coisa que ainda não aconteceu (nem sei se acontecerá) porque entretanto outros jogos se meteram no caminho. Bom, mas GTA sempre foi uma experiência singleplayer para mim, portanto o essencial está aqui.

Não vou falar de aspectos técnicos, nem tão pouco me irei debruçar ou dar importância à triste forma como a Rockstar tratou a comunidade no PC, são questões secundárias e, durante estes três anos, já tudo foi dito e discutido. Irei apenas falar da minha experiência pessoal e da forma como se compara ao resto da série que sempre foi do meu agrado.

giphy

Vou já dizer assim a abrir, o mundo de GTA V é o mais detalhado que alguma vez vi na minha vida. Ponto. O cuidado e a atenção aos pequenos detalhes são tremendos e elevam-no a um patamar onde nenhum outro jogo desta escala consegue sequer sonhar lá chegar, mesmo The Witcher 3. Até mesmo experiências lineares e super controladas, como os jogos da Naughty Dog, têm dificuldades em atingir estes pequenos detalhes. É uma cidade viva onde cada pessoa têm a sua rotina, interagem entre eles, atendem a falam ao telefone, tropeçam e pedem desculpa, lêem o seu jornal, almoçam, etc, etc, etc. Mas o mais impressionante é a escala em que tudo isto acontece. Não sei o quão grande o mapa é em comparação com os restantes jogos da série ou com outros jogos, mas o seu trunfo prende-se mais na forma como ele está preenchido. É um mundo montado com sentido e lógica, esqueçam a lógica “parque de diversões” dos jogos da Bethesda por exemplo, San Andreas, à semelhança do mundo de The Witcher 3 ou da wasteland de Fallout: New Vegas segue uma lógica real.

Grand Theft Auto nunca foi sinónimo de boas histórias (a de GTA IV não era boa, desculpem lá) a meu ver a série sempre teve muita dificuldade em traduzir narrativa num formato open world. Comparar o que faz narrativamente com The Witcher 3 e New Vegas (insisto em usar estes dois exemplos porque, a meu ver, são os jogos que melhor usam as mecânicas de mundo aberto em termos narrativos) só coloca a nu a dificuldade que a Rockstar tem manter uma história focada, até Red Dead Redemption tinha essas dificuldades, só no brilhante epílogo se conseguiu libertar. E aqui não é excepção, se bem que a novidade de dividir a narrativa entre três personagens (o psicopata Trevor, Michael, preso na nostalgia do passado e Franklin que acaba por ser usado como uma identificação do jogador) ajude a criar uma maior identidade narrativa na forma como entrelaça as três personagens, no entanto, a historia quase sempre se perde no meio de aventuras genéricas e secundarias.

gtav

Mas o que a Rockstar sempre fez bem e continua-o a fazer, é a escrita. Não que ela seja um portento literário, mas é realista. É assim que as pessoas falam, consegue afastar-se daquele discurso típico “de filme” que ninguém fala no mundo real. Para atingir esse realismo é usado outros dos trunfos dos jogos da Rockstar, bons actores, bom voice acting. É natural, realista, não encontramos diálogos presos nem pausas pouco naturais entre linhas de diálogos, tudo flui naturalmente.

De resto, em termos mecânicos não tenho muito a dizer, segue a linha da série, expandindo da linearidade e restrições impostas no Grand Theft Auto IV, aqui seguindo uma linha de liberdade e escolhas herdadas de Grand Theft Auto: San Andreas o que é de salutar, mas que acaba por matar de vez o legado de Grand Theft Auto IV. É um jogo que já tinha envelhecido mal, muito pior que os jogos da era PS2, mas que agora, com o brilhantismo deste quinto capitulo, fica irremediavelmente preso no poço da irrelevância.

E assim me despeço, valeu a pena a longa espera (mas não é justificada, mesmo com a maravilhosa optimização no PC) porque GTA V é definitivamente um excelente jogo. Muito, muito mais haveria para se falar (tipo até há um modo na primeira pessoa!) mas num jogo destes, que saiu há tanto tempo, já tudo foi dito e discutido.

Positivo:
+ Fantástico e detalhado mapa de jogo.
+ Enorme liberdade e escolha.
+ Tremendamente bem optimizado no PC.

Negativo:
– História genérica.
– 3 anos para ser lançado no PC? A 50€?

Tempo de Jogo: 50 Horas

Sai do templ… do PixelHunt com:

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