The Man Who Fell To Earth – O Homem Que Veio do Espaço [1976]

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Depois duma pausa regressamos à nossa Maratona Sci-Fi 2016 para a terceira entrada da lista e a despedida da década de 70.

Sou fã do Bowie, portanto foi com tristeza que o vi partir este ano, o seu legado é incomensurável, não só na musica mas também no cinema. Decidi então prestar uma pequena homenagem ao colocar o seu primeiro filme nesta maratona. The Man Who Fell to Earth é um drama de ficção cientifica que atingiu ao longo das décadas um estatuto de culto, um estatuto compreensível porque este não é um filme tradicional nem tão pouco consensual.

Realizado por Nicolas Roeg que vinha do excelente Don’t Look Now que também já passou por cá numa das Maratonas Terror, The Man Who Fell to Earth mantém alguns dos aspectos do seu predecessor, principalmente na fantástica fotografia e naquele realismo desapegado tão típico do cinema de autor da altura. Ambos os filmes fazem questão de apresentar um estilo tremendamente sóbrio e quase espartano, há um claro esforço para desprender as personagens e seus comportamentos o mais possível de todos os clichés habituais, é difícil encontrar típicos heróis ou protagonistas nestes dois filmes.

Obviamente The Man Who Fell to Earth tem uma pequena grande particularidade e uma excepção a esse realismo, fruto da sua história. É David Bowie, a sua personagem é um extra-terrestre que aterra no nosso planeta para conseguir recolher recursos para o seu planeta natal que está a morrer. A sua personagem é estranha, desintegrada e de certa forma artificial, o que trás uma interessante contraposição com o estilo da realização de Roeg.

É um filme típico da sua época, que de certa forma envelheceu mal, é certo que tem toneladas de charme e é louvável a forma como não tem problemas em arriscar, mas visto com um olho clínico é fácil demais encontrar problemas. Foi complicado separar o extremo melo-dramatismo de algumas cenas com algum humor involuntário que facilmente cai num certo embaraço alheio. Há aqui muita coisa que não funciona, tipo a sessão de sexo intercalada com dois extraterrestres besuntados em leite ou lá que era aquilo. É difícil levar a sério.

Mas, como já disse, há aqui muito charme, charme de Bowie aqui completamente andrógino e vulnerável, charme dos anos 70 e do seu psicadelismo e charme da excelente fotografia. Tudo isso acaba por elevar um filme que, sejamos sinceros, tem muitos problemas, numa obra que merece ser descoberta, mais não seja por uma certa curiosidade mórbida em ver como algo que tem tudo para cair, de certa forma, acabou por se manter em pé de forma surpreendente.

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