Mad Max Beyond Thunderdome – Além da Cúpula do Trovão [1985]

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Já vos falei dos outros filmes da série Mad Max, uma das minhas favoritas dentro do género, só faltava mesmo esta terceira parte, o mal amado Beyond Thunderdome, também vulgarmente conhecido como “aquele em que entra a Tina Turner”.

É compreensivel que Beyond Thunderdome seja o patinho feio da série Mad Max, para além da inglória tarefa de suceder e preceder os dois melhores filmes de acção (Road Warrior e Fury Road) desde que os irmãos Lumiere inventaram esta coisa do cinema, o filme em si parece descaracterizado e uma cópia chinesa da coisa a sério. É difícil não o ver como alguém a tentar fazer um Mad Max, a pegar  nos elementos típicos da série mas nunca conseguindo colar e poli-los de forma a fazer um verdadeiro Mad Max. Se não soubesse até diria que George Miller nem estaria envolvido, mas surpreendentemente continuou na realização.

Todos falam na “Hollywoodização” de Beyond Thunderdome, que é mais que óbvio, mas isso nem seria obrigatoriamente mau, tipo, Fury Road é Hollywood e saiu-se magistralmente, o grande problema é que essa comercialização e tentativa de massificação descaracterizou a série. Esta terceira parte tem um lado muito mais infantil, entrando a fundo num registo de aventura mais na onda dum Indiana Jones do que propriamente na ficção cientifica pós apocalíptica central na série.

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É fácil dividir Beyond Thunderdome em duas partes, aliás são tão distintas que quase parecem dois filmes. A primeira, centrada em Bartertown mostra um Max transformado em herói de filme de acção dos anos 80 (longe vão os tempos do anti-herói relutante e acidental) com altas skills e one liners onde Tina Turner é central (juro que dá para vê-la a assinar o cheque chorudo). Honestamente é uma sequência terrível que termina numa horrível luta dentro da arena que dá nome ao filme.

Felizmente as coisas melhoram um pouco na segunda parte em que Max é abandonado no deserto e é resgatado por uma comunidade de putos que idolatram a vinda dum Messias que obviamente ligam ao Max. A ideia dessa comunidade é desinspirada e um claro isco para o publico infantil, mas se fecharmos os olhos a tudo isto chegamos à tradicional perseguição automóvel (aqui num comboio sobre carris) que mesmo sendo a pior dos quatro filmes é de longe a melhor parte do filme e a que consegue recuperar alguma da essência Mad Max.

Alguns apanhados interessantes, pela primeira e única vez na série é revelado que a causa do Apocalipse é nuclear. É estranho que tenham mudado o lore da série (mas compreensível, eram os anos 80) mas parece que Fury Road voltou atrás com o cliché nuclear, preferindo seguir com a escassez de agua. Aliás, vendo bem, cada um dos filmes decidiu seguir o que era mais relevante na sua altura. Mad Max e Road Warrior foram feitos no pico da crise do petróleo do final da década de 70, Beyond Thunderdome durante a escalada da guerra fria dos anos 80 e Fury Road numa época mais sensível às questões ambientais.

Beyond Thunderdome é decididamente um mau Mad Max, mas a verdade é que acaba por ser um competente filme de aventura direccionado para um publico mais infantil o que se calhar até era o objectivo. Felizmente não chega para manchar a série porque os outros três filmes são tremendos.

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