Possession – Possessão [1981]

possession_1981

Voltamos a cruzar o atlântico e entramos na década de 80 com um filme que… bom, nem sei bem o que dizer. Que não estava à espera do que vi é dizer pouco, na verdade não sabia bem ao que ia, as poucas opiniões que fui lendo por aí deixavam adivinhar que era um filme fora do normal (dai o ter escolhido, se bem que ajudou ter lá a Isabelle Adjani) mas bolas, fui apanhado de surpresa.

Muito honestamente não posso dizer que tenha gostado, mesmo que tenha alguns aspectos porreiros que falarei mais à frente, mas achei bastante curioso que acaba por ter uma ligação com o anterior filme da maratona, The Brood, na medida em que é um drama conjugal mascarado como filme de terror. Mas as semelhanças ficam-se por aí, Possession é todo um animal diferente.

Bom, mas então o que é Possession? Complicado descreve-lo ou mesmo classificá-lo. É terror? Também é, mas é muito mais. A primeira metade centra-se em volta dum violento processo de separação entre Anna e Mark (Isabelle Adjani e um novíssimo Sam Neill) que lentamente e aos poucos se vai transformando em algo mais… algo mais negro e perturbador. Não revelarei muito da segunda parte porque esse processo de descoberta foi interessante e macabro, não quero estragar a vossa experiência.tumblr_nciudhk7r11tcxm2ro1_500

O que posso dizer é que Possession não é um filme vulgar, desde logo na sua atmosfera (uma Berlim sempre assombrada pelo muro) que melhor é descrita como se dum sonho se tratasse. As ruas são estranhas, quase sempre vazias de pessoas e todos se comportam artificialmente como que se pantominas se tratassem. Todos têm comportamentos extremamente exagerados, o que me fez confusão inicialmente, mas rapidamente me apercebi que era esse mesmo o objectivo. Ao bom estilo de David Lynch ou especialmente Lovecraft, Adrzej Zulawski deu a Possession aquele sentimento de que tudo parece normal, mas… ao mesmo tempo, nem por isso.

A história é ambígua e deixada à interpretação de cada um. Pode ser interpretada de forma literal ou como uma alegoria sobre o divorcio que, faz bem mais sentido e lógica do que se forem com uma mente mais fechada. Não sei se o posso recomendar, pelo menos a qualquer pessoa. Aviso só que não é para qualquer um, eu não gostei como filme, mas apreciei-o como experiência. Estão avisados.😀

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