Fallout: New Vegas [2010]

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21 de Agosto de 2014, foi há precisamente 32 meses que decidi instalar e jogar Fallout: New Vegas. Durante 26 meses deambulei pelo deserto do Mojave, deixei que tudo o que faz deste um dos melhores RPG de sempre se entranhasse em mim. Quando decidi por um ponto final na minha aventura, foi um adeus agridoce mas necessário. Foi um momento feliz por finalmente chegar ao fim e poder virar a página, mas também triste, triste porque tinha acabado de me despedir duma das melhores experiências de que tive a felicidade de jogar.

Esta introdução foi parcialmente escrita há meio ano quando acabei Fallout: New Vegas. Honestamente não sabia como continuar, o impacto que teve em mim na altura estava-me a levar para caminhos bem hiperbólicos que é algo que tento sempre evitar, tento sempre não escrever no calor do momento. Claro que depois deixei o tempo passar, não era suposto só voltar a este texto seis meses depois, mas como sabem não tenho dado a atenção que o PixelHunt merece. Estou agora a revisitar coisas que deixei a meio. Adiante.

É Fallout: New Vegas um dos melhores RPG de sempre como audaciosamente declarei? Pah, ya, não há muita volta a dar, pelo menos dos que joguei. Mesmo agora a frio e com a passagem do tempo é difícil não lhe reconhecer todo o brilhantismo. Os seus pontos altos são tão altos e brilham tão forte que conseguem ofuscar os mais escuros, e há alguns, bastantes até, não corresse ele no motor que corre. Bom, para ser sincero não tenho pachorra nenhuma para vos estar aqui a falar de cenas técnicas, nem de mecânicas , design e tal. O jogo tem 6 anos, não vale a pena perder tempo com isso, nem sequer é um assunto que me dê prazer escrever. Do que quero falar é do porquê me ter conquistado, da forma como o fez e as razões para ter subido para o panteão dos meus jogos favoritos, que, diga-se de passagem, não é fácil.

As diferentes formas de abordar a quest Beyond the Beef

E a razão acho que acaba por cair sempre no mundo de jogo e na forma como tão bem se adapta a tudo o que acontece à sua volta. A história geral não é nada de especial, mas a forma como todos os diferentes e pequenos (e esses sim bem especiais) ramos narrativos se conjugam e interligaram entre si moldando essa mesma história é algo que muito poucos jogos se podem orgulhar de fazer. É um mundo que parece vivo e real, e parece precisamente por causa do forma como ele reage em termos narrativos, o que a meu ver, é muito mais impressionante do que normalmente o pessoal de PR associa a “mundos realistas” tipo rotinas de NPCs e variantes.

E o mapa de jogo? Tão bom! O deserto do Mojave é exactamente o contrario do que normalmente encontramos num jogo da Bethesda por exemplo. É realista q.b. e está montado duma forma que… bom… faz sentido. Se seguirmos os rios encontramos culturas agricultas que por sua vez são mantidas por trabalhadores que percorrem estradas que ligam a uma povoação, povoação essa que recebe energia eléctrica através de postes de electricidade vão dar a uma central eléctrica e por ai fora. Parece algo normal, mas é surpreendente como tão poucos RPGs conseguem fazer isto. O mundo de The Witcher 3 por exemplo está montado da mesma forma, mas infelizmente a norma é o chamado “potato land” termo criado por Daniel Vavra da Warhorse.

Perguntam-me por que razão demorei anos a terminar um jogo que tanto gostei. Tipo, “… se gostastaste tanto, não devias ter acabado o mais rápido possível tal a fome que estavas a sentir?” É uma pergunta pertinente mas fácil de responder. Fallout: New Vegas é um RPG portanto incentiva o jogador a fazer role play. E é também um sandbox, ou seja permite que o jogador explore e crie a sua própria história, ao seu próprio ritmo e na direcção que bem entender. A conjugação destes dois elementos criou um hábito de jogo que no final levou a que demorasse tanto tempo a acabar. No meu jogo a minha personagem era uma solitária que tentava sempre usar a diplomacia e ser o mais neutral possível, ou seja, não tomava partidos (pelo menos inicialmente). O objectivo pessoal era explorar, conhecer o mundo, conhecer as politicas do Mojave e as suas personalidades. Um viajante sem destino. Esta “filosofia de vida” levava-me a sessões esporádicas de jogo porque quase nunca sentia a pressão de seguir em frente e acabar a história. Acabar a história…. o que é isso? Eu é que decido quando a minha história termina, é essa a beleza dum jogo destes.

Muito mais há para dizer, podia falar da estrutura de algumas quests que dão uma liberdade tal, que se torna difícil ver outros jogos com os mesmos olhos. Vejam por exemplo a questBeyond the Beef“, o numero de diferentes abordagens e resoluções é… incrível, e é apenas um exemplo. É esta liberdade e este incentivo para o jogador experimentar e tentar coisas diferentes que me levava a regressar constantemente ao deserto do Mojave mesmo estando ausente durante semanas.

Fallout: New Vegas é digno sucessor de Fallout e Fallout 2 e a realidade é que é mesmo a terceira parte duma trilogia interligada. Fallout 3 da Bethesda apropriou-se dum nome que não é o seu e a meu ver deve ser visto como o inicio dum spin off ou algo do género. Este é um dos melhores RPG que já joguei e de certeza um dos meus jogos favoritos de… sempre.

Tempo de Jogo: 110 Horas

Positivo:
+ Escrita
+ Mundo de jogo
+ História
+ Quest design
+ Open world design

Negativo:
– O horrível motor de jogo herdado da Bethesda

 

Sai do templ… do Pixelhunt com:

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