Julius Caesar – Júlio César [1953]

44 AC

Damos inicio à nossa semana romana com o filme mais antigo dos seis escolhidos, centrado na figura mais proeminente não só de Roma, mas da História. Acho que é correcto classificar Júlio César como a figura histórica não religiosa (se bem que o deificaram após a sua morte) mais importante e influente na historia da humanidade.

O episódio mais importante sua tumultuosa vida foram possivelmente os seus últimos, o seu assassinato marcou o inicio do processo de transição entre a Republica e o Império Romano e ficou infamemente marcado para a prosperidade através dos relatos de Plutarco. No entanto, o episódio acabou por se tornar mais popular com a peça de teatro escrita por Shakespeare 1500 anos mais tarde, que é precisamente onde este filme adapta. E esse facto transborda por todos os poros do filme porque na prática é isso mesmo, uma peça de teatro filmada para cinema, linha por linha palavra por palavra o que acaba por dar um certo charme à coisa porque ao contrário duma peça, aqui temos vastos cenários e altos valores de produção, o que aliado ao inglês arcaico do séc. XVI dá uma interessante mistura.

O filme, assim como a peça, é claramente inspirada pelas antigas tragédias gregas onde o destino é inultrapassável contra todos os sinais e avisos. Júlio César é avisado mais que uma vez da tragédia que o assolará nos idos de Março, mas o destino leva sempre a sua avante. O momento da sua morte às mãos dos senadores encabeçados por Brutus é um dos pontos altos, só não é o mais alto porque Marlon Brando, aqui como Marco António, enche todo o filme com o seu fantástico discurso à plebe romana, numa oração cheia de paixão inflamatória em oposição ao discurso cerebral e racional de Brutus. Brutus, vilipendiado para a prosperidade acaba por ser o protagonista da peça e o seu conflito interno entre o amor por César e por Roma.

Em termos de realismo histórico, temos de ter em conta que esta é uma interpretação duma reinterpretação do séc. XV que por sua vez é uma interpretação das biografias escritas por Seutonius e Plutarco um século após a morte de César, portanto é fácil imaginar o quão distorcidos os factos deverão estar.

De qualquer das formas, a ideia geral da morte de Júlio César está aqui bem representada e é uma boa porta de entrada para quem quiser ter uma ideia do episódio histórico. Claro que há muita manipulação romântica e emocional própria duma peça de teatro trágica e carradas de liberdade criativa, contudo a verdade é que os factos foram escritos e descritos pelos vencedores, portanto nunca se saberá como tudo realmente aconteceu.

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