Cleopatra – Cleópatra [1963]

48 AC – 30 AC

Para complementar o que vimos em Julius Caesar, que terminou com a guerra civil entre Marco António, Octávio dum lado e os assassinos de César, Brutus e Cassius do outro, temos para segundo filme o que se poderia considerar como uma sequela histórica.

Depois da derrota de Brutus e Cassius, a luta pelo poder tomou o caminho normal quando há duas forças poderosas que a fomentam, Marco António e Octávio quebram a aliança e tornam-se nas duas novas facções opostas na guerra civil, sendo que a pedra basilar neste confronto foi uma rainha egípcia de descendência grega que dá nome ao filme, Cleópatra.

A figura de Cleópatra está envolta num manto de romantismo tal que muito do que se sabe e do que é conhecimento popular está completamente ou parcialmente desfasado da realidade, ou pelo menos da realidade que se conhece. A História é escrita pelos vencedores e como tal, muita da imagem que temos de Cleópatra, uma figura traiçoeira e exótica que usava a sua sensualidade para enganar e conquistar, foi claramente fabricada pelos romanos que, é claro, não viam com bons olhos toda a influência que ela teve sobre figuras proeminentes de Roma.

O filme toma algumas liberdades criativas e prefere moldar a história de forma a centrar a narrativa na rainha egípcia e torna-la uma heroína trágica mas, de forma geral, segue mais ou menos fielmente o que se sabe da sua vida e da história. Desde o seu romance com Júlio César que a ajudou a conquistar o trono do Egipto Ptolemaico ao seu irmão, passando pela sua visita a Roma com o filho de ambos aquando a morte de César e terminando com a ligação amorosa com Marco António e suicídio após derrota aos pés de Octávio, futuro primeiro Imperador Romano Augusto.

Mas, para ser completamente honesto, a principal fonte de interesse deste filme (que gostei bastante) acaba por ser o que se passou nos seus bastidores. O filme mais caro à época (334 milhões ajustado à inflação!!!), Cleopatra foi um tremendo desastre financeiro onde as extravagancias de Elizabeth Taylor e o seu affair escandaloso com Richard Burton (que vendo bem, espelhou de certa forma as extravagâncias de Cleópatra e os escândalos das ligações com César e Marco António) foram cabeça de cartaz na época. Tentem apanhar o documentário do making of que é, por si só, tão interessante quanto o filme.

As 4 horas de filme (na sua versão restaurada e aumentada de comemoração dos 50 anos, que foi a que vi) é um enormíssimo épico numa escala que só Hollywood sabia fazer. O fórum romano e a parada da chegada da comitiva de Cleópatra (já agora, não factual, lideres estrangeiros não podiam entrar no forum romano) é duma extravagância e espectacularidade que roçam a luxuria. Digno de se ver.

O filme está claramente dividido em duas partes, de tal forma que os planos iniciais eram precisamente dividi-lo em dois filmes, o primeiro centrado em César e o segundo em Marco António. Essa divisão é bem visível no resultado final e a meu ver é a segunda metade que mais sofre. A sua relação com o explosivo e inseguro Marco António é-nos mostrada de forma muito menos cuidada e nunca senti uma real química entre ambos (o que é irónico), não ajuda que uma larga percentagem dessa segunda parte seja exclusivamente dedicada à batalha de Áccio e aos seus preparativos e consequências

De qualquer das formas isso não retira nada à grandiosidade que é este épico. Um óbvio fruto do seu tempo que nunca mais será replicado, e como interessante obra de estudo, Cleopatra é sem quaisquer sombras de dúvidas um clássico.

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