Alien 3 – A Desforra [1993]

Já falei por cá de Alien e Aliens  e para comemorar a recente saída de Alien: Covenent (que relembro, será o ultimo filme desta maratona) decidi escolher a terceira parte da saga que sempre foi um filme que nutri uma grande estima.

Mal amado por quase todos, inclusive o seu realizador, o agora consagrado David Fincher, Alien 3 sempre teve presença assídua no meu coração cinéfilo desde que o vi em puto numa VHS alugada da loja de video do bairro. Não sei se é esse lado nostálgico que me faz gostar tanto de Alien 3, mas a verdade é que sempre que o vejo, quanto mais velho fico, mais gosto dele, da sua atmosfera opressiva, dos visuais claustrofóbicos e do ambiente niilista que é único na série Alien e que lhe empresta uma identidade única.

É claro que tem a sua dose de problemas, especialmente a versão de cinema que é uma tremenda trapalhada em termos de ritmo e especialmente de edição, carregado com cenas que sofrem de problemas de ligação e que dá ao filme um aspecto descontinuado com muitas quebras de fluidez. A versão mais longa, intitulada de assembly cut (não a chamem de directors cut, Fincher desonrrou o filme) tenta resolver estes problemas, e em parte consegue. São mais 30 minutos que ajudam a explicar algumas narrativas secundárias e a interligar as diferentes cenas e temáticas. É uma versão imensamente superior, para mim a definitiva e da qual falarei daqui a diante.

Mas a triste realidade é que Alien 3 já nasceu torto, e muitos dos seus problemas são irremediáveis, fruto duma pré-produção desastrosa e uma produção onde a interferência dos estúdios cortou as asas a um filme e a um realizador que já partiam em desvantagem desde o inicio.

Mas se há algo que sempre gostei na série, é que cada filme era uma coisa à parte com uma visão bem marcada pelo seu realizador e este terceiro capitulo não é excepção. Este é um filme completamente diferente dos seus antecessores e teve a coragem e audácia de cortar por completo com a visão de Aliens e tentar a sua própria “cena”, mesmo que para isso tenha que ter matado os sobreviventes do anterior filme, e ainda bem! Sei que não é uma opinião popular mas seria impossível transmitir a mesma mensagem e atmosfera de isolamento e solidão (que eventualmente leva Ripley a tomar a decisão mais corajosa de toda a série) que o filme queria passar.

Sigorney Weaver dá aqui tudo o que tem e eleva a sua Ripley para novos horizontes que nos anteriores filmes não teve espaço para esticar, entrando quase num campo de anti-heroína de conotações religiosas (e o filme está carregado delas) onde abraça de vez o destino que lhe foi marcado sem opção. Riplay e o alien são indissociáveis um do outro e por mais que ela lute e fuja não há nada que possa fazer para evitar o pesadelo que havia tropeçado décadas antes a bordo do Nostromo. É uma marca clássica do chamado terror cósmico que Alien e Alien 3 tão bem conseguiram recriar e mais nenhum filme da série o conseguiu emular, nem Aliens que na prática é uma montanha russa da feira popular nem tão pouco os mais recentes filmes do avô Ridley Scott que são… coisas.

Portanto se não gostam de Alien 3, é na boa, compreendo as razões, mas se não gostam porque os outros não gostam ou se o viram uma vez há anos e anos, então tentem lá dar uma nova oportunidade, vão ver que não é assim tão mau 😀

 

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