Dredd [2012]

A nossa Maratona Sci-fi 2017 caminha para o final com uma das mais saborosas surpresas dos últimos anos, este surpreendente bom Dredd, que acabou por ser um relativo flop de bilheteiras, no entanto, com o passar dos anos a sua qualidade tem vindo a ser reconhecida, ao ponto de se ter tornado numa espécie de filme de culto e de até se falar numa sequela.

Dono duma pesada herança que é o terrível filme com Sylvester Stallone dos anos 90, para quem nada conhece do material de origem, como eu, este não é, à partida, um filme que pareça muito prometedor. Num futuro próximo, os policias são também juízes e têm liberdade para executar decisões (mesmo que seja morte) na hora e no local. Boring stuff. Só que não! Se o filme do Stallone era uma palhaçada, este Dredd é uma montanha russa de violência e sequências de acção magistralmente montadas, nem tanto em termos coreográficos como um The Raid (onde vai buscar óbvias inspirações) mas mais na forma como se intercalam e se complementam, fruto de um trabalho de edição e um solido argumento sem momentos mortos ou irrelevantes.

O trio protagonista está em grande, mesmo que se pareçam figuras saídas duma BD (o que seria o objectivo, I guess tendo em conta o material de origem) na medida em que são bastante exageradas e até uni-dimensionais em termos de caracterização e comportamentos, mas não vejam isso como algo redutor ou negativo porque é isso que o filme e o guião pede. Karl Urban dá ao seu Dredd uma imagem dura e autoritária (com coragem para nunca tirar o capacete), Olivia Thirlby é a novata que acaba por ser quem mais cresce ao longo do filme, perdendo a ingenuidade inicial para se tornar na real protagonista do filme e, claro, a Lena Headey e a sua Ma-Ma que é das melhores vilãs dos últimos tempos.

Visualmente, à primeira vista parece abusar um pouco daquele típico visual de videoclip, cheio de cores vibrantes, contrastes cromáticos e uso de slow motion (ligado inteligentemente à droga traficada no filme) mas passado um tempo uma pessoa esquece-se e acaba por dar ao filme uma identidade própria. Pah, se nunca viram o filme porque a premissa parece genérica, ou se estão fartos de filmes de comics e de super-heróis (que acaba por não ser bem o caso porque o juiz Dredd é um anti-herói e não tem nada de super :D) vão por mim e arrisquem, eu estava e estou no mesmo grupo. É intenso, violento mas muito bem filmado, montado e interpretado, um pequeno clássico moderno e uma jóia por lapidar.

 

 

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