War for the Planet of the Apes – Planeta dos Macacos: A Guerra [2017]

Os recentes filmes da série Planet of the Apes têm sido tremendas surpresas, nunca ninguém no seu perfeito juízo alguma vez imaginaria que hoje em dia fosse possível revitalizar uma série que as gerações mais novas pouco conhecem e que são, bem vistas as coisas, um produto do seu tempo.

Mas a verdade é que foram bons, muito bons, em especial o segundo filme Dawn of the Planet of the Apes. Esta semana estreou a 3ª parte que, segundo parece, é o desfecho deste reboot e, sendo assim, será uma trilogia. Tendo em conta os anteriores filmes e o talento envolvido é fácil de ver que War for the Planet of the Apes iria ser bom, o meu receio prendia-se no historial normalmente associado às ultimas partes de trilogias que normalmente sofrem sempre quebras.

Felizmente o mesmo não acontece aqui. War for the Planet of the Apes é fantástico e de forma geral consegue ser ainda melhor que o segundo filme, se bem que em alguns aspectos não consiga atingir o mesmo nível de subtileza. Assim, é seguro afirmar que a trilogia do César (vamos referi-la assim para diferenciar dos outros filmes da série) é a melhor trilogia sci-fi desde Star Wars, e mesmo assim é fácil argumentar que em alguns pontos até consegue superar o que George Lucas nos mostrou três décadas atrás.

O mais espantoso nesta terceira parte é a completa e inquebrável confiança e segurança que o filme tem em si e no que quer fazer e mostrar. O seu ritmo inconstante, a subversão das expectativas do que as pessoas esperam dum blockbuster ao não compartimentar a sua estrutura de acordo com os templates actuais e a forma como aplica quase toda a sua narrativa através de linguagens não verbais (através de linguagem gestual, comportamental, ambiental e especialmente através do silencio) durante quase toda a sua duração é uma prova da enorme maturidade que esta série atingiu e sinal de que Matt Reeves (que vai agora perder o seu tempo com o Batman e a DC) e companhia souberam conquistar o seu próprio espaço.

Admito que lhe falta alguma da subtileza e a ambiguidade moral do segundo filme, colando-se, se calhar em demasia, a temáticas e episódios bíblicos, é óbvio e fácil de ver a história do Êxodo aqui, mas também cria muitos paralelismos com a escravatura e as lutas de libertação. Dawn of the Planet of the Apes era mais cinzento em termos morais, alguns humanos eram bons, Koba era mau mas ambíguo e era um balanço difícil de manter, aqui cada facção é mais extremada o que se calhar até faz sentido visto que a humanidade aproxima-se cada vez mais do fim.

E pronto, excelente filme que conseguiu igualar as minhas enormes expectativas, mas acima de tudo é um privilégio saber que ainda há espaço para cinema pipoca de qualidade num mundo em que se fazem Mumias e Velocidades Furiosas parte 12.

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