Mclaren [2017]

Recentemente temos vindo a assistir a uma crescente redescoberta do mundo da Fórmula 1 por parte do cinema, durante muitas décadas a única referência era Grand Prix de John Frankenheimer já na longínqu década de 60.

Felizmente, parece que as coisas estão lentamente a mudar, Rush e Senna foram sucessos comerciais e ajudaram a despertar o interesse de algum publico leigo na matéria, usando a emoção como fio condutor em vez de grande conversas técnicas. Já este ano vamos ter o documentário Williams sobre Frank Williams e a sua família e, claro, este Mclaren que, como o nome indica, roda à volta de Bruce Mclaren, fundador da marca homónima que, 50 anos depois, é a segunda equipa mais importante da F1, depois da Ferrari.

É fácil cair na tentação de comparar com Senna, são dois documentários sobre dois pilotos do hemisfério sul que vieram para a Europa e que acabam por morrer em pista, no entanto são dois produtos muito, muito distintos. Desde logo, Bruce nasceu duas décadas antes do brasileiro e logo aí o numero de filmagens em stock são muito menores e de pior qualidade. Para além disso, Bruce viveu numa época de pilotos cavalheiros em que a F1 ainda não era o circo mediático dos anos 80 e 90, por fim, Senna era um turbilhão emocional e os seus episódios de vida reflectiam isso.

Bruce era uma pessoa muito mais ponderada e calculista se bem que tremendamente apaixonada pelas corridas e especialmente pela engenharia. Acho que o documentário explora brilhantemente essa mesma obsessão ao ponto de todos o caracterizarem como workaholic, no final da sua vida Bruce e a sua equipa estavam activamente envolvidos na F1, CanAm e Indy com ideias para fazer os próprios carros de estrada. Uma tarefa hercúlea que exigia demais da disponibilidade do neo-zelandes e que acabou por ter um fim trágico ao testar um dos seus carros.

Mesmo tendo em conta a relativa escassez de material em arquivo, é surpreendente o numero de filmagens pessoais que desconhecia por completo e que dão a conhecer um lado não tão conhecido dele e que fazem compreender o porquê da sua equipa ter uma completa e cega fé nele alicerçada por uma enorme carisma e força de vontade, fruto de todos os obstáculos que o Neozelandês teve de ultrapassar ao longo da vida, já que ele havia sofrido de pólio em criança e tinha uma perna maior que outra.

É um documentário de qualidade e que muito gostei porque sou um fã acérrimo do piloto e da equipa, é extraordinário ver por imagens a história do nascimento da Mclaren, no entanto fico claramente com a sensação de que isto é especialmente indicado para os seguidores da equipa e da F1, os mais leigos penso que terão mais dificuldades em criar um laço emocional com toda a narrativa, ao contrário do documentário Senna por exemplo que trabalhava magistralmente todos os cordelinhos emocionais para manipular o espectador.

De qualquer das formas, mesmo tendo em conta isso, recomendo-o para quem não entende patavina de F1. Para quem entende e gosta é obviamente obrigatório.

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