The Witness [2016]

Braid foi provavelmente a primeira grande explosão indie moderna nos idos de 2008 (a par de World of Goo talvez) e foi um dos primeiros exemplos a demonstrar que pequenos developers tinham condições para nos dar experiências artísticas e mecânicas ao nível, ou naquele caso mesmo superiores, dos grandes estúdios.

Jonathan Blow levou o seu tempo a preparar o próximo jogo depois do sucesso de Braid e optou por um caminho completamente oposto. Se Braid era um puzzle platformer, este novo jogo, The Witness, vai beber inspirações bem distintas, mais especificamente a aventuras como Myst e Riven. Com os jogos da Cyan partilha a ideia de explorar na primeira pessoa uma ilha deserta carregada de puzzles pouco acessíveis, mas Jonathan Blow leva a premissa um pouco mais além, ao transformar a própria ilha num puzzle.

E nessas alturas que The Witness realmente brilha, quando os puzzles usam o ambiente e quando a própria ilha nos dá pistas, quase que dialogando connosco. Aí o jogo entra por caminhos tremendamente criativos e artísticos, o que aliado a um fantástico sentimento de exploração e a visuais lindíssimos quase que tornam a experiência perfeita.

O problema, pelo menos para mim que não tenho todo o tempo do mundo, é que The Witness não mantém estes níveis por muito tempo, e não o faz porque a esmagadora maioria dos puzzles não são ambientais, seguem um conjunto de regras próprias (muitas delas vagas) que, embora sejam aceitáveis nas primeiras vezes, tornam-se extremamente repetitivas e enfadonhas, fruto do elevadíssimo numero de puzzles e da extrema dificuldade de muitos deles, o que simplesmente me faziam perder rapidamente o interesse.

De qualquer das formas é inegável que The Witness tem os seus momentos altos, e esses momentos são tão brilhantes que ofuscam o jogador. Encontrar puzzles camuflados na natureza, aqueles momentos a-ah! depois de ultrapassar um puzzle que precisava dum pensamento “fora da caixa” ou tropeçar num clip do Nostalghia do Tarkovski ou na interessantíssima apresentação The Secret of Psalm 46 do Brian Moriarty. Nesses momentos The Witness é perfeito, infelizmente nos outros… nem por isso.

E é essa dualidade que acabou por marcar a minha experiência. As minhas 20 horas não podem ser vistas como representativas porque, muito honestamente, só consegui chegar ao fim com ajudas, doutra forma levaria-me muitas mais dezenas de horas ou muito provavelmente nunca o terminaria. De qualquer das formas recomendo-o para quem gosta de puzzles e tenha tempo livre em mãos.

Positivo:
+ Exploração.
+ Visuais.
+ Puzzles ambientais.

Negativo:
– Os outros puzzles.
– Repetitivo e cansativo.

Tempo de Jogo: 20 Horas

Sai do templ… do PixelHunt com:

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