Eraserhead – No Céu Tudo É Perfeito [1977]

Eraserhead_poster

Maratona Lynch

Começamos a maratona Lynch com um filme que viria a exemplificar o cinema surrealista de David lynch, Eraserhead.

Já falei da primeira longa metragem de Lynch aquando da Maratona Terror 2013 (e que poderão ler aqui em baixo) portanto este nova visita servirá para complementar o que havia escrito quatro anos atrás. A opinião mantêm-se?

De certa forma, sim. Embora seja fácil ver a mensagem que Lynch quer passar, ou seja, as dificuldades inerentes à paternidade, continuo a acha-lo desnecessariamente vago e pretensioso, típico do primeiro trabalho de alguém que se quer mostrar ao mundo, falta a Lynch aqui a segurança e relaxamento que viria a mostrar em bizarrices futuras. Mas numa coisa acho que todos temos de concordar, Eraserhead é brilhante em termos atmosféricos e ambientais, é porventura o mais próximo que alguma vez estaremos de ver projectado um pesadelo opressivo.

E é interessante começar a ver aqui algumas ligações com futuros projectos de Lynch, o protagonista  Jack Nance irá aparecer em Twin Peaks, o cinematógrafo Frederick Elmes participará em Blue Velvet e Wild at Heart e, claro, todo o ambiente etéreo e aqueles comportamentos humanos que parecem autómatos serão revisitados vezes sem conta no futuro.

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Texto original em Maratona Terror 2013

O único filme da lista que já tinha visto, no entanto, já há bastante tempo, como tal acho que precisava de um novo visionamento.

Gosto do David Lynch, às vezes nem tanto dos filmes em si mas mais dos mundos surreais que ele monta, adoro mergulhar em ambientes que se aproximam da sensação de estar a sonhar acordado e ele é perito nisso. Eraserhead cai perfeitamente nesse campo, não posso dizer que seja um fã do filme, acho-o desnecessariamente artsy, narcisista e a história é duma ambiguidade extrema, mas a atmosfera é das mais opressivas que alguma vez vi. David Lynch filmou um autêntico pesadelo, todos os elementos surreais, bizarros e deformados reflectem na perfeição a lógica sem sentido dum qualquer sonho, dos sonhos que quando acordamos não conseguimos sequer fazer qualquer sentido.

A história é extremamente retorcida, e na prática é-nos mostrada sempre com um “filtro” surrealista que pede ao espectador que retire qualquer amarra com a realidade e com a lógica do nosso mundo, e se deixe levar aos poucos por entre todo o simbolismo que Lynch nos bombardeia. Na minha óptica é a única forma que o filme funciona e se conseguirem se abstrair dessa mesma lógica, Eraserhead é bastante gratificante, balanceando-se numa ténue linha entre a curiosidade mórbida e o desconforto. A beleza dum bom filme é quando nos consegue despertar emoções fortes, quaisquer que sejam, e Erasehead é um perfeito exemplo disso mesmo.

Para quem ainda não viu, não o façam na busca de uma boa história ou de qualquer sentido, isto é pura atmosfera, uma visita guiada dentro da loucura e bizarrice dum sonho. Imaginem que estão num futuro em que é possível filmar os pesadelos das pessoas, Eraserhead é uma dessas filmagens. Se decidirem ir em frente podem-no ver AQUI por exemplo (se bem que aconselho a arranjarem uma cópia decente).

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