Wild at Heart – Um Coração Selvagem [1990]

Quinto filme da maratona e um dos poucos que ainda não tinha visto e já a abrir vejo obrigado a corrigir-me em relação ao que disse no meu texto sobre Dune. Disse que desde o relativo fracasso de Dune, que Lynch não viria a adaptar mais nenhum livro, mas é claro, enganei-me porque, adivinharam, Wild at Heart é precisamente uma adaptação dum romance de Barry Gifford. Pois bem, correcções feitas, que tal foi?

Bom… admito que sofre um pouco ao vir depois de Blue Velvet porque, embora partilhem algumas semelhanças temáticas e estilísticas (até os junto como um período na sua filmografia), não dá ao espectador tanta margem de manobra e prefere mergulhar na sua própria extravagancia pulp, algo que Blue Velvet era bem mais flexível. No entanto, o charme está lá e é difícil não ficar fascinado com as escolhas e decisões que Lynch deu ao filme. 

Através do uso da violência, sexo e comédia negra típicos da ficção pulp noir tão popular na década de 90 (e que viria a explodir com Pulp Fiction que me parece claramente influenciado por Wild at Heart) Lynch tece um comentário irónico aos romances ultra dramáticos onde as forças supersticiosas do destino decidem os desfechos. Sonhos, flashbacks, visões e maus presságios guiam, avisam e ameaçam o amor incondicional dos protagonistas, no entanto, num espelho do final artificialmente feliz de Blue Velvet, eles acabam por triunfar contra todas as expectativas.

Por falar em protagonistas, Laura Dern e Nicholas Cage criaram aqui duas caricaturas tão vivas, coloridas e excêntricas que ofuscam todo um filme que por si só já é extravagante o suficiente. Curioso que as caricaturas de Cage que no futuro seriam alvo de chacota da internet aqui encaixam que nem uma luva.

Um dos jogos mais engraçados ao ver todos os filmes de Lynch como estou a fazer, é ir vendo quando é que surgem os seus actores fetiche e aqui há um monte deles que aparecem pela primeira vez, especialmente os que viriam a surgir também em Twin Peaks que havia estreado no mesmo ano. Sherilyn Fenn, Grace Zabriskie, David Patrick Kelly, Sheryl Lee e Jack Nance estrearam-se aqui com Lynch. O grande Harry Dean Stanton também se “estreia” aqui.

Embora tenha ganho a Palma de Ouro (e acho que foi o único dos seus filmes que ganhou um grande prémio) acho que acaba por ser uma das obras menores de Lynch, o que é um testamento ao nível incomensurável de toda a sua carreira porque, visto independentemente, Wild at Heart é um bom filme.

 

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