Twin Peaks: Fire Walk with Me – Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer [1992]

Regressamos à Maratona Lynch e entramos na segunda parte revisitando Twin Peaks, não a série que vos falei na 3ª feira mas sim a sua prequela.

Twin Peaks: Fire Walk with Me é talvez o meu segundo filme do David Lynch favorito e um que sempre teve bastante impacto pessoal, mas é também um dos mais mal amados do realizador e deve ter sido, talvez, o ponto mais baixo na relação entre o David e a critica. O David Lynch sempre considerou este como um dos seus filmes favoritos e em quase todas as entrevistas em que o vejo a falar de Fire Walk with Me nota-se claramente um certo desgosto por quase ninguém na altura (hoje em dia já é visto com outros olhos) ter aceite e compreendido o filme da forma como ele gostaria, o que é pena. E é pena porque este é um filmaço e lutarei de mangas arregaçadas contra quem disser o contrário!

Ok, é certo que tem os seus problemas, especialmente na forma como as muitas cenas cortadas prejudicam o ritmo e edição (veja-se a mini narrativa com o David Bowie) e toda a parte introdutória, que às vezes pouco mais serve para criar ansiedade no espectador que apenas quer seguir a Laura e a cidade de Twin Peaks. Mas é inegável que os seus pontos altos balança, e de que forma, os pontos menos positivos porque Fire Walk with Me é David Lynch a mostrar a diferença entre TV de sinal aberto e cinema de autor. Ele pega nos pequenos sinais que a série, quase que numa provocação com o espectador, mostrava e mergulha completamente no tal oceano surreal que falei em relação á série, portanto, se achavam a série assustadora, bizarra, melancólica, negra e cómica, preparem-se porque Fire Walk with Me entra numa nova dimensão criativa (o humor é uma excepção, não há muitos momentos de humor aqui).

O ponto mais alto e fascinante de Fire Walk with Me é de loonggeee a Laura Palmer, transformada aqui numa figura trágica que não pode, nem consegue, fugir ao destino traçado por forças fora do seu controlo, mérito é claro de Sheryl Lee que tem aqui o papel e a personagem duma vida. Os terrores e abusos que a rodeiam (e que aterrorizadores que são) são tão intransponíveis e inevitáveis que tornam o seu caminho (que sabemos que termina de forma trágica) tremendamente penoso, triste e melancólico.

Lynch volta a mostrar porque é o mestre do surrealismo mas também como controla como ninguém, mesmo não sendo normalmente associado ao género, o terror atmosférico e a tensão de cortar à faca. A cena do jantar da família Palmer é só uma das mais tensas e angustiantes que verão na sua filmografia e a cena no Roadhouse ao som da musica do Angelo Badalamenti uma das mais hipnotizantes. Good stuff.

No jogo das conexões de participações do Lynch encontramos aqui muitos repetentes, desde logo o elenco da série, claro, e o grande Harry Dean Stanton (RIP), mas também algumas menos óbvias e obscuras como Chris Isaak que tinha tido a sua “Wicked Game” no Wild at Heart e David Bowie que viria a ter uma canção em Lost Highway.

Por falar em Lost Highway, será o próximo filme da maratona, até lá aproveitem para ver ou rever este Fire Walk with Me que, não sei se já tinha dito, é do caraças!

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