Mulholland Drive [2001]

Depois do muito mais tradicional The Straight Story, David Lynch regressa ao seu típico mundo dos sonhos e do bizarro e fá-lo com algumas ligações a passadas experiências como é seu hábito. Quase todas as suas obras têm algum tipo de interligações entre si e Mulholland Drive não é excepção, é fácil ver todas as semelhanças temáticas e até cénicas (Los Angeles) com Lost Highway que, tal como escrevi quando falei dele, quase parece um protótipo imperfeito de Mulholland Drive, mas curiosamente encontramos também alguns sinais de Twin Peaks, nem tanto em termos artísticos, mas no facto de que Mulholland Drive foi filmado, em grande parte, como um piloto duma série de TV que, no final, acabou montado no filme que é.

Durante toda esta maratona tenho vindo a elogiar muitos dos seus filmes afirmando que são dos meus favoritos da sua filmografia, mas nunca são o meu numero um porque, adivinharam, esse lugar é ocupado por Mulholland Drive. Ainda me lembro como, quando e o que senti ao vê-lo pela primeira vez, foi o primeiro contacto que tive com o cinema não só do Lynch, mas com o cinema surrealista de autor e é relativamente fácil de entender porquê. No meio de toda a experiência etérea e sonâmbula, Mulholland Drive é relativamente acessível na forma como desmonta todo o puzzle em completo contraste com Lost Highway, especialmente na forma como, mesmo não percebendo parte da história e simbolismos, cada um consegue retirar qualquer teoria de toda a experiência.

Naomi Watts inicia uma ligação com David Lynch que se viria a repetir no regresso de Twin Peaks e tem aqui o papel da sua vida logo no seu primeiro papel relevante e atinge, em certas cenas (veja-se a cena da audição) níveis de completa mestria.

Gosto de ver Mulholland Drive como a obra definitiva de Lynch e a que melhor consegue captar todas as diferentes particularidades e facetas do seu estilo que foram sendo apresentadas ao longo da sua carreira. Conseguimos ver influências de quase todos os seus filmes na sua estrutura e acho que é uma das razões porque Mulholland Drive é tão seguro de si e tão consistente. É uma explosão de surrealismo, terror, suspense (aquela cena do restaurante, incrível), erotismo e pura emoção, é para mim o magnum opus de Lynch.

 

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