Inland Empire [2006]

Chegamos ao último filme desta maratona (ainda temos mais uma entrada, mas não é um filme) e à semelhança do que aconteceu com o seu primeiro, este é talvez o mais estranho de toda a sua filmografia, de certa forma encerrando a viagem num circulo perfeito.

Inland Empire não é fácil, será porventura o menos acessível e mais incompreensível filme do Lynch e é de longe o que menos tenta seduzir o espectador, o seu ritmo é tremendamente irregular, desconectado e a imagem granulada e barata do digital caseiro é feia e sem qualquer pingo de glamour, mas isto não o torna numa obra menor de Lynch, bem pelo contrário porque Inland Empire dá-nos algumas das imagens e sequências mais únicas da sua carreira.

Como em quase todos os seus filmes, Inland Empire interliga-se tematicamente com muitos outros do seu passado, em especial Fire Walk With Me, Lost Highway e Mulholland Drive, ou seja, filmes que misturam e sobrepõem diferentes realidades, sejam elas sonhos, criações ou diferentes planos. Neste aspecto percorre caminhos idênticos a Mulholland Drive porque usa alguns pontos em comum como a protagonista que é actriz e os bastidores de Hollywood (Justin Theroux que no anterior filme fazia de realizador, faz agora de actor), com Fire Walk With Me e Lost Highway partilha a ideia dum ser que de certa forma controla a percepção do protagonista e espectador da realidade (o phantasm aqui tem semelhanças com o Bob e o Mystery Man dos já referidos filmes) e claro, o protagonista perdido, confuso que questiona o que se está a passar é comum com quase todos os seus filmes. Importante também mencionar algumas curtas, especialmente Rabbits que acabou por inspirar o look do digital e ideias para o filme.

Laura Dern regressa aos filmes de Lynch e tem aqui uma prestação que a coloca como uma das melhores de Lynch a par do Dennis Hopper, Kyle Maclachlan, Richard Farnsworth e Naomi Watts. Laura interpreta uma actriz de Hollywood que consegue o papel para um filme que mais tarde se vem a descobrir ser um remake dum original alemão que nunca chegou a ser terminado por causa da morte de ambos os protagonistas, o que lhe deu a fama de filme assombrado. Gradualmente a protagonista começa a ter dificuldades em separar a realidade da ficção e o seu próprio mundo acaba por reflectir isso mesmo com diferentes linhas narrativas e interligarem-se por entre simbolismos levando-a a, no fim, um estado de completa assimilação das diferentes realidades. Ela enfrenta a figura que a prende neste limbo, mas de acordo com o final, pelo menos para mim, parece-me que na realidade ela permanece presa entre planos numa sala povoada por figuras criadas nessa segunda realidade onde não falta Laura Harring de Mulholland Drive e até o lenhador de Twin Peaks.

Muita coisa só me fez sentido depois de ler, investigar e analisar teorias e interpretações, porque Inland Empire não facilita, nem quer, a tarefa do espectador. É fechado, intransigente e orgulha-se disso, é Lynch no mais out there  possível o que acaba por ser um bom encerramento da sua carreira cinematográfica (se ele realmente nunca mais realizar um filme como há tempos prometeu) e um prémio para quem optou por o seguir durante a sua carreira.

Não se vão já embora porque ainda temos regresso de Twin Peaks para falar. Até logo!

PS. Ah! Passei o filme todo a tentar perceber quem era o marido da Laura Dern, é o Peter Lucas! O Von Glower do The Beast Within: A Gabriel Knight Mystery!!! OMG!!

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