Blade Runner 2049 [2017]

Uma das maiores tragédias do cinema comercial moderno, para além dos caixotes de filmes de super heróis, é o renascimento de clássicos quer seja em reboots, sequelas ou reimaginações. Star Wars: The Force Awakening mostrou o quão difícil é fugir ao passado e a cair na armadilha do fan service e Alien: Covenant foi puro dejecto cinematográfico.

Portanto encarei o regresso de Blade Runner (um dos meus favoritos) com um camião TIR de sal, ainda para mais sabendo que Ridley Scott seria o produtor, o que ele fez com o legado de Alien não se faz ao pior dos inimigos. Dennis Villeneuve como realizador e Roger Deakins como director de fotografia conseguiu trazer alguma luz, mas nunca tive reais esperanças de que fosse algo ao nível do original.

E o que é o cinema comercial moderno? Filmes de 2 horas carregados de acção em setpieces a emular o que se faz nos videojogos, colagens de cenas sem paciência para estabelecer e construir ligações entre elas, felattios aos filmes originais sem conseguir criar identidades próprias, narrativas obcecadas por agradar ao menor denominador comum com medo de alienar pessoas de baixo QI, basicamente obras sem alma que se esforçam por seguir templates criados a partir de focus groups. Um nojo.

E sabem que mais, Blade Runner 2049 consegue evitar quase todas essas armadilhas! Blade Runner 2049 é melhor do que seria suposto! Blade Runner 2049 parece um filme fora do seu tempo. Blade Runner 2049 é o que não deveria ser. Foi tão curioso como enquanto o via ia sempre pensando que algo ia correr mal, que tinha de correr mal precisamente porque uma pessoa acaba por se habituar a ver sempre a mesma coisa que inconscientemente já está à espera que as habituais nojices aconteçam. Foi tão bom ver que só há 3 cenas de acção durante todo o filme. Foi tão bom ver a paciência que o Dennis teve para alongar as cenas o tempo necessário para mostrar o que deve ser mostrado sem receios de perder a atenção das pessoas. A certa altura fiquei desiludido com a narrativa porque já estava mesmo a ver o caminho que ia seguir, mas… não seguiu esse sentido. Foi tão bom ver que uma larga percentagem do filme é pura construção narrativa ambiental através da sua atmosfera. Foi tão bom não tentarem responder perguntas que não devem ser respondidas. Foi tão bom ver que o protagonista não é o centro do universo nem sequer especial, mas tragicamente moldada pela sua insignificância . Foi tão bom ver que passaram mais de 2h30 quando acabou.

Foi bom!

PS: Ainda tou a quente, mas houve coisas que não gostei, tipo acho que a presença do Deckard não era necessária, ou pelo menos a importância que tem na história.

PS II: Óscar para Roger Deakins por favor.

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