In the Mouth of Madness – A Bíblia de Satanás [1994]

Seguimos na década de 90 com o segundo filme de John Carpenter desta lista, um que nunca tinha visto, apresento-vos In the Mouth of Madness.

Para ser muito sincero não sou grande conhecedor do Carpenter pós anos 80 e poucos são os filmes dele que vi depois de… deixa ver… Big Trouble in Little China e este In the Mouth of Madness só conhecia por causa de todas as ligações com o universo do Lovecraft que muito aprecio. Aliás é fácil deduzir essa ligação logo pelo titulo do filme que joga com uma das obras seminais do escritor norte americano,  At the Mountain of Madness.

Vendo por esse prisma as minhas expectativas não saíram defraudadas, bem pelo contrário, In the Mouth of Madness é uma carta de amor a Lovecraft trabalhando com mestria muitos dos elementos que normalmente associamos à sua mitologia. Demência e loucura progressiva, ausência de livre arbítrio, cultos, ameaças indescritíveis e terror cósmico são os pilares do filme, e para ser honesto, são trabalhados bem melhor do que estava à espera. É certo que In the Mouth of Madness prefere caminhar por uma estrada muito mais reminiscente da pulpiness dum Twilight Zone do que da seriedade de Lovecraft, mas para mim as coisas resultam, eu pelo menos gostei bastante.

A premissa básica centra-se à volta dum escritor, Sutter Cane, cujos livros são um autentico fenómeno que começam a influenciar as pessoas. O protagonista (Sam Neil, sempre surpreendente em filmes de terror) é encarregue de investigar o desaparecimento do popular escritor e do manuscrito do seu mais recente livro. A viagem leva-o num percurso desde a racionalidade até à demência enquanto as influencias de Sutter Cane começam a afectar a sua realidade. O desfecho é brilhante, no misto dum horror de quem perde o seu livre arbítrio e uma meta self-awareness muito inteligente.

Acho que hora e meia é certamente pouco tempo para contar e abordar todas as temáticas de que queria falar e o filme ressente-se um pouco disso mesmo, com alguns problemas de continuidade e de edição, especialmente no ultimo acto, o que é pena. Sam Neil segura o filme com mestria (forte presença em cinema de terror como Omen III: The Final Conflict, Possession e Event Horizon) mas não é acompanhado por um elenco em forma, bem pelo contrário.

Resumindo e concluindo, gostei bastante, bem ao nível do melhor Carpenter dos anos 80.

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