Dreamfall – The Longest Journey [2006]

O Lembram-se? é sobre uma das aventuras mais interessantes e importantes, nem tanto pela sua qualidade ou valores artísticos (que tem) mas por ser um dos jogos que melhor reflecte e personifica toda uma mentalidade e movimento geracional que ocorreu em meados da década passada e que de certa forma ainda se sente hoje em dia.

Estou a falar da sequela dum dos meus jogos favoritos de todos os tempos, falo de Dreamfall – The Longest Journey, e falo porque “rejoguei-o” mais uma vez há poucos meses depois de o ter jogado perto do seu lançamento em 2006. Dreamfall é um titulo importante porque, como referi, de certa forma é uma das cabeças de cartaz duma mudança que se sentiu aquando o lançamento das consolas da geração passada quando se pensava que elas iriam ser o futuro e que o PC iria morrer. Quem não se lembra das séries que abandonaram o PC rumo a novos pastos, ports “consolizados” mal optimizados para o PC e alguns que nem estavam feitos para se jogar com rato, exclusivos temporários e toda uma “sacanisse” que felizmente hoje em dia é coisa do passado.

Mas onde é que Dreamfall entra nisto tudo? Pois bem, a sequela de The Longest Journey é o exemplo perfeito deste movimento e dum jogo que quase se auto-destruiu por isso mesmo. A forma como quase hipoteca todo um brilhantismo artístico e narrativo para se encaixar no mercado simplificado das consolas é uma das histórias mais tristes que encontro na industria porque, debaixo de toda a trapalhada técnica, está um jogo cheio de alma. Mas Dreamfall é de certa forma a cabeça de cartaz dum outro movimento que ainda hoje em dia se faz sentir, as aventuras gráficas light onde o gameplay é colocado em segundo plano para dar luz a todo um lado cinemático que Heavy Rain, em 2010 e The Walking Dead em 2012, viriam a tornar extremamente popular. Se calhar estou a colocar demasiada importância num jogo que até nem teve grande sucesso, mas na altura vivia com grande paixão todo o universo que Ragnar Tornquist tinha construído com o The Longest Journey.

Hoje em dia e jogando-o mais uma vez já consigo perdoar muitas das “traições” que senti na altura, e embora a meu ver seja um produto bem inferior e menos relevante que o seu predecessor, Dreamfall é bem bom e conta a sua história sobre a perda da fé e o papel da responsabilidade individual com muito coração e muita alma. Soube bem voltar a este universo (na verdade voltei a jogar porque tenho aqui o Dreamfall: Chapters em fila de espera) e deu para reparar que muita coisa já estava esquecida no tempo, mas também que muita coisa não funciona muito bem se não o jogarmos imediatamente a seguir ao primeiro jogo, porque Dreamfall bate muito na tecla da nostalgia, nesse aspecto a minha primeira experiência foi bem mais emotiva que esta.

Agora que parece que o Ragnar desistiu do prometido The Longest Journey 2, o Dreamfall: Chapters que irei jogar nos próximos tempos será a derradeira despedida deste maravilhoso universo. 😦

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