Virginia [2016]

Explorando a minha biblioteca no Steam tropecei em Virginia que se bem me lembro gerou grande polarização critica no ano passado. Como adoro “walking simulators” e é curtinho, porque não?

Ainda bem que tomei essa decisão porque Virginia valeu bem a pena e foi dos jogos que mais impacto me deu nos últimos tempos (o que não é difícil). Quem conhece os chamados walking simulators sabe mais ou menos o que esperar, narrativas na primeira pessoa com ênfase em exploração e narrativa ambiental. Virginia faz isso, mas com um twist. O jogo não tem qualquer dialogo. Sim, toda a história é contada de forma não verbal, só por isso já valeria a pena. A sua história surrealista inspirada por Lynch (ah pois é) não é contada de forma continua, ou seja há inúmeros saltos temporais, os chamados jump cuts no cinema que, se costumam ler o PixelHunt, deve-vos recordar dum jogo que falei há tempos. Exactamente, Thirty Flights of Loving. Vamos recordar o que disse dele:

É certo que muita coisa que faz já foram apresentados por outros jogos como a narrativa ambiental, saltos narrativos e a total ausência de comunicação directa e verbal, mas outras, como os cortes na acção que vemos no cinema, acho que nunca vi num jogo. Basicamente o jogo corta em diversos pontos e salta os momentos que nada de relevante acontece. É certo que sendo isto um projecto experimental as coisas até que funcionam, fica a duvida se também funcionaria num jogo tradicional.

Funciona. Virginia é prova disso mesmo.

Mas por entre todas as maravilhas de Virginia e todos os louvores que teci e tecerei no futuro (porque cheira-me que haverei de regressar) há sempre aquele aquele elefante na sala sempre que se fala em walking simulators que é, claro, interactividade, ou melhor, a falta dela. Em Virginia isso ainda é mais evidente porque, vou ser sincero, o jogador tem tão pouca interacção e liberdade de decisão que o ogo é basicamente um filme que apenas pede ao jogador que carregue em play de vez em quando. É algo que aceito de bom grado se isso significar uma maior aposta em novas ideias e numa maior qualidade narrativa, mas tenho a perfeita noção que não é para todos e infelizmente não conseguirei recomendar a um tradicional jogador.

Virginia é o descendente directo de Thirty Flights of Loving que, quando os videojogos forem uma arte “a sério” será estudado nos livros de História da arte como À bout de souffle é hoje em dia. É maravilhoso que a sua influência esteja a começar a ajudar a gerar um movimento que pretende puxar os videojogos para um caminho que quebre com as incríveis restrições artísticas que o meio vive hoje em dia. Virginia, com a sua narrativa não verbal e a sua edição à base de jump cuts é um passo no bom caminho e mostra que videojogos são muito mais que um pântano dominado pelo tradicionalismo e imaturidade adolescente.

Vamos elevar isto para uma arte a sério, vamos apoiar artistas que tenham a audácia de olhar e pensar fora da caixinha onde a industria ainda está. Experimentem coisas como Virginia, Dear Esther, Paper, Please, Her Story, The Stanley Parable e por aí fora, provavelmente não vão gostar, mas se isso ajudar a ver as coisas numa diferente perspectiva já é uma pequena vitória.

Positivo:
+ Narrativa não verbal.
+ Edição.
+ História surrealista

Negativo:
– A quase ausência de interactividade.

Tempo de Jogo: 1,5 horas

Sai do templ… do PixelHunt com:

 

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