Star War Episode VIII: The Last Jedi – Os Últimos Jedi [2017]

Cresci com Star Wars, era obcecado em adolescente mas enquanto cresci fui-me desapegando cada vez mais, quando me apercebi que na realidade a trilogia original é o único material de qualidade e nunca será replicada em termos de qualidade. Foi um produto que nasceu na época certa da forma certa e nunca mais aparecerá nada igual. Aprendi a aceitar isso durante as prequelas e com o ultimo The Force Awakens que, se bem se lembram, não gostei (mas só o vi uma vez).

Mas a verdade é que um fã, mesmo um desiludido como eu, fica sempre com o bicho atrás da orelha, naquela esperança do “agora é que é”. Não me vou alongar muito sobre The Last Jedi, vou fazer uma divisão no texto entre o que gostei e o que não gostei. Com spoilers! Para quem não os quiser, digo o que disse na minha primeira reacção no Facebook quando sai do cinema:

Novo Star Wars. Melhor que o Force Awakens. Boas e corajosas decisões que estilhaçaram expectativas pre-concebidas. Problemas de ritmo e edição que o fazem perder o foco.

O resto é só spoilers:

Positivo:

Blockbusters modernos são tremendmente previsiveis e The Last Jedi também o é em muito da sua estrutura mas ADOREI a forma como destruiu todas as ideias e teorias pré-concebidas nestes dois anos.

– Snoke é uma pálida imitação de Palpatine e morre na sua primeira aparição por um gajo que é acusado por ele próprio por ser só uma imitação do Vader.
– Os pais da Rey são uns zé-ninguém, Rey é uma zé-ninguém que apenas tem uma forte sensibilidade com a Força. Não há qualquer ligação parental entre a Rey e o resto dos heróis. Tão bom!
– Luke está-se a cagar para a reverência mitológica e heróica que o seu nome tem na galáxia. A forma como ele atira o seu sabre de luz no inicio é perfeita. A sua interpretação dos Jedi é bem mais cinzenta do que alguma vez foi representada nos filmes.
– Os contactos entre a Rey e o Kylo foram uma boa surpresa de que não estava à espera e abriram porta para algumas das melhores cenas.

De forma geral gostei como The Last Jedi subverte expectativas e transforma ideias como a Força, Jedi e heróis para algo muito mais terreno e menos mitológico.

Negativo:

Blockbusters modernos são tremendmente previsiveis e The Last Jedi também o é em muito da sua estrutura e ODIEI a forma como todas as suas boas ideias foram postas em causa por muitas decisões inerentes a um mega blockbuster moderno.

-Porquê 2h30m de filme quando a sua história base é tremendamente simples? É um blockbuster moderno por isso tem de ter set pieces e visitas a locais exóticos para vender bonecos e tal, mas qual a necessidade do arco narrativo do Finn lá no Mónaco? Qual a necessidade da Laura Dern não colocar todos a par do seu plano? Para quê colocar a Leia em coma durante metade do filme? É introduzir elementos artificiais para estender a duração duma história tremendamente simples. Revela falta de confiança nessa mesma história.
The Last Jedi é uma viagem de montanha russa, não na adrenalina que dá, mas nos enormes problemas de ritmo fruto duma edição disjunta (muito reminiscente de Rogue One) e graves problemas de narrativa que toquei no ponto em cima. The Last Jedi brilha nas interacções entre personagens, estendam esses momentos e cortem as artificialidades da história. Percam mais tempo com Rey e Luke, Rey a procurar respostas na cave, nas conversas entre Rey e Kylo, tornem-os mais cúmplices (quem me dera que se tivessem aliado naquele momento, tipo Revan e Malak no Knights of the Old Republic). Cortem o subplot do Finn e substituem-no por uma viagem undercover ao Star Destroyer por exemplo, estendam isso com, sei lá, um jogo do gato e do rato entre o Finn e a Phasma. A Leia e a Laura Dern que ponham todos a par do seu plano, é um plano arriscado por si só e que dá para set pieces interessantes. Menos é mais. Foquem e explorem as coisas boas que têm, mesmo que sejam poucas, não bombardeiem o espectador com inúmeras coisas a ver o que pega.

E muito mais há a dizer, positivo ou negativo. Acho que muito do negativo vem também do legado do Force Awakens e que não há muito mais a fazer. Toda a ideia do soft reboot com o Império v.2, Rebeldes v.2 e toda essa treta veio estragar qualquer filme que ai venha. Mesmo este The Last Jedi no meio da subversão de expectativas é apenas uma colagem de momentos do Empire Strikes Back e Return of the Jedi, o que é pena. Mas de forma geral diverti-me, diverti-me mais do que esperava e deixou-me um melhor sabor na boca do que o resto dos Star Wars da Disney.

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