Kholat [2015]

Três géneros estão de momento na moda, especialmente na onda independente. Os walking simulators, os jogos de terror na primeira pessoa e os de sobrevivência. Muitos são os que tentam o seu lugar ao sol copiando e inspirando-se nas histórias de sucesso, mas poucos são os que tentam abranger os três géneros ao mesmo tempo.

Kholat, dos polacos da  IMGN.PRO tenta fazer isso mesmo com resultados… mistos. Antes de mais acho pertinente falar de como descobri Kholat. Há uns meses tropecei num video do “Monsters of the Week” do RagnarRox (que já agora, recomendo, ele é dos melhores youtubers de videojogos que andam por aí) precisamente sobre Kholat, mas não focado no jogo em si, mas na história real que o inspirou. O “incidente do passo de Dyatlov” relata a história dum grupo de alpinistas soviéticos que desapareceu misteriosamente nas montanhas dos Urais, sendo que mais tarde foram descobertos os seus corpos já sem vida, num estranho padrão que levantou muitas duvidas e, claro, deu azo a muitas teorias da conspiração.

Kholat pega nessa história e pede ao jogador que descubra essas mesmas teorias num misto de exploração típica dum walking simulator e um ambiente tremendamente opressivo, onde o horror é constante. Não só o horror proveniente das criaturas que perseguem o jogador (bem ao estilo dum Amnesia: The Dark Descent) mas também (e especialmente) da atmosfera de isolamento que o fantástico ambiente nevado dos Urais transmite.

Acho que é precisamente nisso onde Kholat brilha, a sua atmosfera é arrepiante, no bom sentido, e acaba por se complementar muito bem com a terceira parte do triângulo de géneros em que o jogo se inspira, a parte de sobrevivência. Não esperem mecânicas profundas de sobrevivência, porque não as encontrarão, mas num pequeno aspecto acho que o jogo acertou na mouche com a ausência de GPS, setas de objectivos, trackings e variantes. O jogador tem apenas um mapa (que não indica a posição do jogador) e uma bússola. Mais nada. Somos obrigados a movimentar-mo-nos apenas através do ambiente e de marcos geográficos, o que é uma tremenda lufada de ar fresco e empresta toda uma claustrofobia à experiência.

Embora tenha acabado por gostar de Kholat, devo admitir que tive muitas dificuldades em entrar em sintonia inicialmente, as primeiras horas têm um sabor estranho devido ao quão vago é o jogo e os seus objectivos, e isso acabou por preencher toda a experiência que tive, mesmo que no final já tivesse relativamente confortável com a forma de pensar do jogo. Mas isso acaba por ser um efeito secundário dum jogo que tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo sem se especializar numa delas. Kholat é o que se costuma chamar de “jack of all trades, master of none” e isso acaba por afectar a experiência, porque para além da exploração claustrofóbica por entre cenários bonitos, o resto não teve a qualidade suficiente para me conquistar.

Mas mesmo com o arranque lento e a falta de foco, Kholat é uma interessante experiência que aconselho a amantes deste tipo de jogos atmosféricos. Os outros provavelmente não vão gostar.

Positivo:
+ Visuais e atmosfera.
+ Navegação geográfica sem ajudas.

Negativo:
– Falta de foco.
– Algum jank em termos mecânicos.

Tempo de Jogo: 5 horas.

Sai do templ… do PixelHunt com:

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