The Killing of a Sacred Deer – O Sacrifício de Um Cervo Sagrado [2017]

The Lobster, com todo aquele bizarro surrealismo envolto num humor negro muito peculiar, é um dos meus filmes favoritos da década, e o seu realizador, o grego Yorgos Lanthimos acaba de estrear o seu novo filme, este The Killing of a Sacred Deer que, pelo trailer, dava a entender ser assim também um pouco… fora do normal.

E é mesmo! Com The Lobster, este novo filme partilha muitas semelhanças, desde logo uma premissa bizarra, algum humor negro, mas especialmente personagens… muito estranhas. Honestamente não sei bem como explicar, mas quem viu The Lobster consegue ter uma ideia… imaginem… milénios no futuro, extra-terrestres chegam à terra e por entre os destroços da humanidade encontram vestígios de filmes e histórias perdidas no tempo. Fascinados com a nossa cultura decidem fazer um filme, mascaram-se de humanos e tentam imitar-nos. O resultado é este The Killing of a Sacred Deer, um filme que parece interpretado por humanos normais, mas… há ali algo estranho, comportamentos, gestos e diálogos que não batem certo. E é incrível.

O resultado, é claro, muito humor constrangedor, negro e surreal. E isso acaba por elevar o filme bem acima da sua premissa invulgar que de outra forma poderia parecer apenas uma gimmick. É todo o ambiente estranho, mas lógico, daquele mundo que liga de forma coesa todas as diferentes partes do filme.

Dito isto, acho que The Killing of a Sacred Deer tem problemas. o tremendo build up que vai acumulando ao longo da narrativa (a premissa é muito apelativa e invulgar) acaba por ir contra o filme porque o clímax é… bem… anti-cimático, e fica a sensação de que a montanha pariu um rato. The Lobster (que gostei bem mais) é muito mais consistente e consegue acabar em alta.

Ajudou a compreender melhor o porquê desta certa inconsistência quando descobri que é uma adaptação duma história clássica grega de Eurípides, Ifigénia em Áulide. Obras clássicas nem sempre traduzem bem na actualidade.

Resumindo e concluindo, bom filme com fantásticas interpretações (Colin Farrel em grande, assim como o miúdo, Barry Keoghan, que enche todas as suas cenas) e um ambiente surreal que começa a ser imagem de marca do realizador Yorgos Lanthimos que é um talento a seguir no futuro.

Originalmente de 2016, estreou em Portugal em 2017.

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