A Quiet Place – Um Lugar Silencioso [2018]

Se me dissessem há 10 anos atrás que a imitação americana do Martin Freeman do The Office iria ser o realizador dum dos mais tensos filmes de terror do ano, provavelmente não acreditaria, mas a realidade é que John Krasinski, apenas no seu 2º filme como realizador, já mostra sinais de algum brilhantismo.

A Quiet Place segue a recente onda de enormes sucessos de terror independente que apostam cada vez mais numa vertente artística focada na atmosfera e relações humanas em vez de sustos fáceis e colecções de setpieces. E a verdade é que consegue ser uma boa obra de terror tradicional e até comercial na sua raiz (convenhamos, é uma história de monstros à caça duma família) mas que consegue, quase sempre, manter uma forte personalidade a uma visão apoiada num ritmo muito paciente que sabe esperar, e bem, pelos momentos de intolerável tensão (muito bem montados) para explodir e levar o espectador a nunca se sentir realmente confortável.

Como acontece em tantos filmes de terror, A Quite Place também tem a sua gimmick, com as suas próprias regras e que o faz mover em frente, aqui ela centra-se na capacidade auditiva dos monstros que obriga os protagonistas a não fazer sons altos. O resultado é um filme extremamente silencioso onde o mais pequeno som é tratado como uma sensível peça de cristal que deve ser guardada e cuidada, mas também num filme praticamente sem diálogos onde a linguagem gestual e os sussurros são a forma mais comum de comunicação, o que é incrivelmente refrescante. Honestamente, acho que nunca tinha visto uma ideia destas em filme, se bem que acaba por ser uma variação do que se viu em Tremors, por exemplo. É uma excelente ideia, e o filme sabe muito bem como a usar.

Se tivesse que puxar algo negativo, talvez pegasse na abundância dos chamados jump scares baratos, que a certo ponto acabam por se tornar previsíveis. Nesse campo falta-lhe alguma imaginação, se bem que a aposta em sons altos para esses mesmos sustos acaba por se tornar compreensível, tendo em conta a tal gimmick. Falta-lhe também alguma capacidade em abraçar, com coragem, a subtileza que vê-se que gostaria de atingir, alguns momentos são demasiado frontais e expositórios, como a sala cheia de notas e rabiscos que pouco mais servem para o wink wink ao espectador, e a frequência com que mostram os monstros, tornando-os menos assustadores a cada aparecimento.

De qualquer das formas, A Quiet Place é um excelente filme de terror que se junta a tantos outros clássicos modernos da ultima década, o que tendo em conta a enorme qualidade que o género vive hoje em dia, é digno de nota.

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