Soylent Green – À Beira do Fim [1973]

Saltamos para a década de 70 com um clássico que acabou por entrar na cultura popular, especialmente por causa do twist final que, na altura foi deveras chocante, mas que hoje em dia está tão ligado ao filme em si, e ao seu nome, que já se tornou impossível de o dissociar.

Soylent Green é, para mim, um dos máximos exemplos do típico look da ficção cientifica distópica dos anos 70. O futuro de Soylent Green é tremendamente pessimista, a poluição e alterações climáticas levaram a sociedade a colapsar numa situação de extrema pobreza e fome, levando o estado a adoptar um novo tipo de comida para saciar as crescentes populações famintas, alimento esse chamado Soylent Green. Mas, no fundo, Soylent Green é uma história de detectives, a personagem de Charlton Heston investiga a morte dum homem rico e da alta sociedade (permitindo ao espectador ver um outro lado, mais limpo e tecnologicamente avançado, deste futuro distópico) que eventualmente o leva a descobrir o segredo por detrás da tal comida que o estado autoritário anda a fornecer aos seus cidadãos.

Já o tinha visto há bastante tempo em adolescente, e revê-lo agora… trouxe ao de cima os seus pontos menos positivos. Muito honestamente para além da sua visão do futuro não há aqui muito que o faça brilhar. Charlton Heston foge aqui um pouco ao seu típico herói perfeito, a sua personagem acaba por ser uma personificação da própria sociedade, ele rouba, a aproveita-se de terceiros mesmo sendo um policia porque aquele é um futuro sem qualquer centelha de esperança.

O ponto alto, para além do famoso twist, é a cena da eutanásia da personagem do Edward Robinson (que viria a ser o seu derradeiro filme) que é genuinamente tocante, abrilhantando um filme que na sua generalidade quase nunca consegue ligar-se emocionalmente ao espectador, pelo menos comigo.

De qualquer das formas gostei bastante de o rever e é um importante filme para todo um sub-género que continua bastante popular, só não acho que consiga crescer para além do choque do seu twist, o que o acaba por o limitar, algo que os clássicos intemporais normalmente conseguem fazer.

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