Kurôn wa kokyô wo mezasu – The Clone Returns Home [2008]

The Clone Returns Home (não vou usar o nome original porque… bom, basta tentar escrevê-lo) é um filme estranho. Desde logo é difícil encontrar grandes informações na Internet, teve uma estreia limitadíssima fora do Japão por entre meia dúzia de festivais e foi realizado por Kanji Nakajima que só tem… 3 filmes em toda a sua filmografia de quase 30 anos. É um filme que parece não querer ser descoberto e que se esconde propositadamente de olhares externos.

E é pena, porque este é um dos filmes visualmente mais bonitos deste milénio, com uma sensibilidade e filosofia directamente emprestadas da escola do Tarkovski. As semelhanças visuais, rítmicas e atmosféricas com Solyaris, Stalker e Zerkalo são mais que evidentes e dão ao filme toda uma aura que me faz ficar triste que quase ninguém o conheça.

Bom, mas The Clone Returns Home tem os seus problemas, especialmente na forma como desperdiça uma premissa tão boa e perde progressivamente gás depois dos fantásticos 40 minutos iniciais onde seguimos um flashback do protagonista durante a sua infância num acto que me fez muito lembrar Zerkalo do já mencionado Tarkovski. E que premissa é essa? Muito sucintamente, num futuro próximo, a agência espacial japonesa investe num programa de clonagem para os seus astronautas mortos em serviço no espaço, não só fisicamente, mas também as suas memórias. A coisa não corre bem para o protagonista cujas memórias terminam num acontecimento traumático da sua infância, perdendo todas e quaisquer memórias posteriores.

O que se segue é um filme com um ritmo extremamente lento e pausado que dá todo o espaço e liberdade para criar ambiente e atmosfera, empregando um enorme realismo nas interpretações dos seus actores que aqui conseguem fugir aos típicos overactings do cinema japonês. Como já referi, a segunda parte do filme tem alguma dificuldade em manter a chama acesa, especialmente em termos temáticos, mas de forma geral The Clone Returns Home é uma belíssima e arrebatadora experiência visual que merece ser descoberta.

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